Economia

CNI diz que "não é momento" de Lei da Reciprocidade contra EUA e pede insistência na negociação

Confederação Nacional da Indústria afirma que setor "continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência"; comitiva viaja a Washington na próxima semana

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SBT News
29/08/2025, 16:24 • Atualizado em 29/08/2025, 16:24
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Indústria | Arquivo/Agência Brasil/EBC

Indústria | Arquivo/Agência Brasil/EBC

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou em comunicado nesta sexta-feira (29) que "não é o momento" para o Brasil acionar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos por causa do tarifaço imposto a exportações nacionais.

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A entidade também pediu insistência na negociação com governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e disse que o setor industrial "continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência". O presidente da CNI, Ricardo Alban, avaliou que contexto econômico atual "exige cautela e discussões técnicas".

Ontem, após autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty) acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para analisar aplicação da lei sobre os EUA.

Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos serão notificados da decisão nesta sexta (29) e terão tempo para enviar resposta. Após 30 dias, em caso de aprovação de medidas, será formado um grupo de trabalho com setores do governo brasileiro para decidir em quais áreas agir em possíveis retaliações às sobretaxas.

Na primeira semana de setembro, a CNI lidera comitiva "com mais de 100 líderes de associações e empresários industriais" em viagem a Washington para "aprofundar a parceria econômica entre os dois países". Objetivo é debater impactos de taxas sobre setor e buscar soluções.

"Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros", comentou Alban.

Leia comunicado da CNI na íntegra:

"A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a persistência no uso de instrumentos de negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige cautela e discussões técnicas. Neste sentido, uma comitiva liderada pela CNI com mais de 100 líderes de associações e empresários industriais desembarcará no começo da semana que vem em Washington, para uma série de compromissos com empresários e representantes do poder público dos EUA.

“Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Alban. “Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros”, acrescenta o presidente da CNI.

Alban alerta que é importante observar que as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.

A agenda em Washington contempla encontros bilaterais entre instituições empresariais brasileiras e suas contrapartes e parceiros nos EUA, e reunião plenária para discutir os impactos comerciais e estratégias para aprofundar a parceria econômica entre os dois países.

A CNI também vai promover encontros estratégicos preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para o dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo norte-americano nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral."

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