"Espero que ajude a acelerar diálogo e negociação", diz Alckmin sobre uso da Lei de Reciprocidade contra EUA
Vice-presidente e ministro da Indústria falou a jornalistas que ainda não há nova reunião prevista com autoridades norte-americanas

Felipe Moraes
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nessa quinta-feira (28) esperar que abertura de processo para uso da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos por causa do tarifaço ajude o Brasil a avançar em negociações com o governo do presidente Donald Trump.
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"O Congresso Nacional aprovou uma lei chamada Lei da Reciprocidade, quase por unanimidade, que é um instrumento importante, necessário. A Camex é provocada, é um órgão colegiado, formado por dez ministérios, praticamente. Então, vai ser iniciado o processo. Agora, o que eu espero é que isto ajude acelerar o diálogo e a negociação", disse Alckmin a jornalistas na Cidade do México, onde esteve a bordo de comitiva para discutir tarifas impostas pelos EUA e parcerias comerciais.
Ontem, após autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty) acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para analisar aplicação da lei sobre os EUA.
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Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos serão notificados da decisão nesta sexta (29) e terão tempo para enviar resposta. Após 30 dias, em caso de aprovação de medidas, será formado um grupo de trabalho com setores do governo brasileiro para decidir em quais áreas agir.
Alckmin evitou comentar se início do processo para uso da Lei de Reciprocidade tem a ver com dificuldade de diálogo entre Brasil e governo Trump a respeito de tarifas. O vice reforçou que orientação de Lula é priorizar soberania nacional, mas destacou que o Executivo segue disposto ao diálogo e à negociação.
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"Nós precisamos lembrar que nós temos 201 anos de parceria e amizade com os Estados Unidos. E temos uma boa complementariedade econômica. Vou dar um exemplo do aço. Somos o terceiro comprador do carvão siderúrgico dos Estados Unidos. Fazemos o semiplano, vendemos para os Estados Unidos, que faz o aço pro automóvel, pro avião, pra máquina", comentou.
"Essa é a lógica do comércio exterior, quem ganha é o conjunto da sociedade. Tem produtos mais baratos, que beneficiam a sociedade", acrescentou Alckmin. O vice e ministro da Indústria também informou que não há nova reunião prevista do governo com autoridades norte-americanas. "Ainda não, mas eu tendo, avisarei."