Economia

Chevron reinava sozinha na Venezuela — agora pode enfrentar concorrência

Com sede em Houston, a Chevron opera na Venezuela desde 1923 e resistiu à saída forçada de outras empresas, como a Exxon Mobil e a Conoco

Avatar de Exame.com
Exame.com
04/01/2026, 12:36 • Atualizado em 04/01/2026, 12:36
compartilhar
Petróleo

Petróleo

A prisão de Nicolás Maduro reacendeu a disputa geopolítica pelo controle da maior reserva de petróleo do mundo. A Venezuela, que detém mais de 300 bilhões de barris no subsolo, vive há décadas o colapso de uma indústria que já foi estratégica para os Estados Unidos e hoje opera abaixo de 1% da produção global.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

No sábado, em coletiva de imprensa, o presidente americano Donald Trump confirmou a captura de Maduro e defendeu a entrada de empresas americanas na reconstrução do setor.

“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura petrolífera e comecem a gerar lucro para o país”, afirmou. Segundo ele, a indústria venezuelana estava “um fracasso total”, bombeando “quase nada em comparação com o que poderia”.

O plano, segundo analistas consultados pelo The New York Times, pode beneficiar a Chevron, única petroleira ocidental ainda com presença ativa no país.

De acordo com o Energy Institute, a produção atual da Venezuela gira em torno de 1 milhão de barris por dia, menos da metade do que o país extraía no início da década de 2010 — e um terço do volume dos anos 1970.

O declínio foi acelerado por sanções internacionais, má gestão da PDVSA (estatal petrolífera venezuelana), escassez de investimentos e deterioração física dos campos de produção. A infraestrutura sofre com perfuração insuficiente, cortes de energia e roubo de equipamentos.

A presença centenária da Chevron

Com sede em Houston, a Chevron opera na Venezuela desde 1923 e resistiu à saída forçada de outras empresas, incluindo a Exxon Mobil e a ConocoPhillips. Hoje, responde por cerca de 25% da produção do país e exporta ao menos 150 mil barris por dia para as refinarias da costa americana do Golfo.

Para manter essa presença, a Chevron negociou com diferentes administrações americanas. Em fevereiro, Trump revogou uma licença emitida durante o governo Biden que permitia a exportação de petróleo venezuelano. Em julho, no entanto, a empresa recebeu uma nova autorização restrita, permitindo operações limitadas e trocas de petróleo — desde que nenhum pagamento fosse direcionado ao regime de Maduro.

Após a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, a Chevron afirmou estar focada em “garantir a segurança de seus funcionários e operações”. Em nota, o porta-voz Kevin Slagle declarou que a empresa “apoia uma transição pacífica e legal que promova a estabilidade e a recuperação econômica”.

Os próximos capítulos

Empresas americanas que tiveram ativos expropriados — como a ConocoPhillips e a Exxon Mobil, ambas forçadas a sair do país em 2007 — agora veem uma nova possibilidade de compensação. Segundo o portal europeu POLITICO, o governo Trump condiciona eventuais indenizações à disposição dessas companhias em retornar à Venezuela e investir na recuperação do setor.

A Conoco moveu um processo de US$ 20 bilhões contra o governo venezuelano; a Exxon, de US$ 12 bilhões. Ambas receberam apenas frações dos valores pleiteados por meio de arbitragens internacionais, segundo informações do The Wall Street Journal.

Nas últimas semanas, o plano de retomada foi discutido com executivos do setor nos EUA. A exigência central, segundo fontes ouvidas pelo POLITICO, é que as empresas voltem ao país imediatamente, com injeção bilionária em campos, oleodutos e refinarias em colapso.

Mesmo com o discurso entusiasta de Trump, ainda não há clareza sobre o plano de transição nem sobre quem liderará o país no pós-Maduro. Executivos do setor demonstram cautela diante da instabilidade institucional e dos riscos operacionais.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Imagem da notícia: Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Imagem da notícia: Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Imagem da notícia: Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Imagem da notícia: Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Imagem da notícia: Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Imagem da notícia: Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Imagem da notícia: Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Últimas notícias

Suspeitos se passam por falsos agentes e assaltam loja em SP

Homens armados levaram diversos objetos de estabelecimento de assistência técnica de celulares na Brasilândia; eles seguem foragidos

PRF resgata mulher de cárcere após abordagem em rodovia

Vítima era levada na garupa da moto pelo ex-marido na rodovia Presidente Dutra (BR-116), trecho de Taubaté, interior de São Paulo

Dino nega pedido de soltura de Deolane Bezerra

Ministro do STF afirma em decisão que prisão da advogada e influenciadora digital é legal

Governo aposta em integração para combater facções

Secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, detalhou os quatro eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado

Dez países africanos estão em lista de alto risco para ebola

Classificação leva em conta surtos na República Democrática do Congo e em Uganda e potencial de disseminação regional

Prêmio de concurso especial aumenta para R$ 336 milhões

Veja os números sorteados na edição da Mega-Sena 30 Anos