Intenção de Trump sobre controle do petróleo da Venezuela levanta alerta sobre soberania
Declaração do presidente dos EUA reacende debate internacional sobre violação da soberania venezuelana e intervenção no setor petrolífero

SBT News
A intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em passar para empresas americanas o controle da exploração do petróleo da Venezuela, provocou forte reação internacional. A fala ocorreu no sábado (3), em pronunciamento após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, e reacendeu o debate sobre possíveis violações à soberania nacional.
Trump disse que as companhias estadunidenses seriam responsáveis por reestruturar a indústria petrolífera do país sul-americano, gerando bilhões de dólares em receita. O dinheiro, de acordo com o presidente, seria convertido em melhorias para a população local. Até o momento, não há detalhes sobre a implementação desse processo e quais empresas estariam envolvidas – a Chevron é a única grande petrolífera americana com atuação confirmada em território venezuelano.
Em entrevista ao News Domingo, do SBT News, o analista político Celso Lamounier apontou que a declaração de Trump representa um risco significativo. “Trata-se de uma sinalização política que extrapola qualquer noção de operação pontual. Quando um país anuncia que administrará outro após a captura de seu líder, isso rompe princípios básicos do Direito Internacional, como soberania e não interferência”, alertou. Segundo Lamounier, ações como essa podem abrir precedentes perigosos no sistema internacional.
Maior reserva de petróleo do mundo
A indústria petrolífera venezuelana foi nacionalizada nos anos 2000, sob o governo de Hugo Chávez. Hoje, a Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris – o que representa entre 18% e 20% das reservas provadas globalmente, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Apesar de serem os maiores produtores mundiais, os Estados Unidos demonstram interesse estratégico no petróleo venezuelano. Recentemente, dois navios petroleiros da Venezuela foram apreendidos pelo governo americano, o que levou o presidente Nicolás Maduro a acusar os EUA de pirataria e de violar normas do direito internacional.









