Economia

"Chance de ajustes severos nas contas públicas em 2026 é quase nula", diz diretor da Instituição Fiscal Independente

Em entrevista ao SBT, Alexandre Andrade destacou que as regras atuais para controle das contas públicas trazem desafios significativos para o país

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Hariane Bittencourt
26/06/2025, 23:42 • Atualizado em 27/06/2025, 00:03
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Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, Alexandre Andrade, disse nesta quinta-feira (26), em entrevista ao SBT, que "a chance de ajustes mais severos nas contas públicas em 2026 é quase nula".

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Um dia após a derrubada pelo Congresso Nacional do decreto do governo que aumentava o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) - como forma de aumentar a arrecadação -, ele afirmou que essa projeção se deve a uma série de fatores. " pouca disposição do Legislativo e do Executivo, especialmente por causa da eleição [de 2026]", disse Alexandre.

Para o especialista, o governo do presidente Lula (PT) já começou gastando mais do que deveria. Isso faz com que, agora, seja difícil mudar essa lógica. "Em geral o que os governos fazem é adotar uma postura de austeridade na primeira metade do mandato, para na segunda metade afrouxarem um pouco as rédeas das despesas. Houve uma subversão dessa lógica no atual governo, que no início já promoveu um forte incremento da despesa pública".

Na terça-feira (24), a IFI divulgou a edição de junho do seu Relatório de Acompanhamento Fiscal. O documento projeta que a dívida bruta do governo pode alcançar 124,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos dez anos, com sucessivos déficits primários, de forma que o endividamento da União adquira uma trajetória de crescimento exponencial.

E mesmo diante de projeções complexas para 2025 e 2026, o diretor do instituto acredita que 2027 pode ser um ano mais favorável do ponto de vista econômico.

"Acreditamos que no início de 2027 se abra uma nova janela de oportunidades para que se discutam despesas obrigatórias. Atualmente [essas despesas] têm um maior ritmo de crescimento, comprimindo o espaço para as despesas discricionárias", explicou.

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