Caso Master: defesa de Vorcaro vê chance baixa de reverter liquidação
Prioridade é evitar venda de ativos a preços baixos; BC diz que grande parte do patrimônio era fraudado


Amanda Klein
Parte da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro diz que a possibilidade de reverter a liquidação do Master é nenhuma ou muito pequena.
Para um advogado que conversou com a coluna, isso só aconteceria no caso de o Tribunal de Contas da União descobrir alguma irregularidade muito grave.
Ainda de acordo com a opinião desse advogado, a principal estratégia junto ao TCU é de evitar que os ativos do banco sejam vendidos a preços baixos.
A defesa de Vorcaro é composta por diversos escritórios de advocacia.
Esse advogado argumenta ao SBT News que há uma confusão entre a determinação da liquidação com os atos da liquidação, que acontecem a partir do momento em que o liquidante, Eduardo Félix Bianchini, foi nomeado pelo Banco Central.
Segundo essa tese da defesa, o Master era solvente, mas atravessava uma crise de liquidez por conta de uma campanha difamatória no mercado.
De acordo com essa visão, há mais ativos do que passivos, e todos poderiam ser ressarcidos sem dano ao Fundo Garantidor de Crédito.
O objetivo, então, é evitar que a dívida do banqueiro seja ainda maior, o que pode acontecer se os ativos forem vendidos a preços baixos.
O processo que levou à liquidação pelo Banco Central encontrou outra realidade: patrimônio de R$ 4 bilhões, sendo que R$ 12 bilhões foram estabelecidos como fraude e mais R$ 11,5 bilhões desviados.
Essa segunda fraude foi identificada em novembro, envolvendo fundos de baixa liquidez da Reag, alvo da operação Carbono Oculto. Fontes do BC lembram que o banqueiro tentou vender ativos durante um ano e não conseguiu comprador para esses ativos porque Polícia Federal e Ministério Público Federal entenderam que não existiam, eram fraudados.
O ministro do TCU Jhonathan de Jesus determinou uma inspeção técnica no Banco Central para apurar o processo de liquidação do Master.
Em despacho na segunda-feira (5), ele não descarta medida para "preservar valor da massa liquidanda".
O advogado Vitor Marques, especializado em Direito Administrativo, afirmou que o TCU extrapola sua competência.
"A análise deve ser de procedimento. O Banco Central é autônomo e independente. Estamos diante de um episódio inédito, em que o responsável por tomar decisões no âmbito do sistema financeiro (BC) é questionado pelo tribunal de contas", disse.






