Economia

BC interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano

Na primeira reunião após a reeleição de Lula (PT), Copom reforça cautela em meio à piora das expectativas de inflação e preocupações com as contas públicas

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Por Caio Barcellos
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, votou pela manutenção da Selic em 13,75% ao ano; decisão foi unânime entre os sete integrantes do Copom | REUTERS/Adriano Machado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, votou pela manutenção da Selic em 13,75% ao ano; decisão foi unânime entre os sete integrantes do Copom | REUTERS/Adriano Machado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.

A decisão foi tomada na primeira reunião desde a reeleição do presidente Lula (PT), em 25 de outubro, e interrompeu um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual iniciado em março, quando estava em 15% ao ano.

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🔎 A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação. Juros menores tendem a baratear empréstimos e financiamentos, favorecendo o consumo e os investimentos, mas também podem aumentar a pressão inflacionária

No comunicado, o Copom justificou a manutenção dos juros pela piora das expectativas de inflação, pelos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e pelo aumento das incertezas em relação à economia brasileira e internacional. Segundo o colegiado, esse cenário exige "serenidade e cautela" na condução da política monetária, sem sinalizar quando voltará com os cortes.

A decisão foi unânime entre os sete integrantes do comitê, incluindo o de Gabriel Galípolo, presidente do BC.

A ata da reunião será divulgada na manhã da próxima terça-feira (10). O comitê voltará a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro de 2026.

Mercado prevê juros e inflação maiores

A manutenção era amplamente esperada pelo mercado financeiro, que passou a demonstrar maior preocupação com os rumos da política fiscal do governo após o segundo turno das eleições. A quarta vitória de Lula foi seguida por fortes quedas na Bolsa brasileira, valorização do dólar e piora das expectativas para os juros e a inflação.

O primeiro Boletim Focus divulgado após as eleições, publicado na terça-feira (3), mostrou uma piora nas expectativas dos economistas consultados pelo BC para os principais indicadores econômicos.

As projeções para os juros aumentaram:

  • 2026: de 13,25% para 13,50% ao ano
  • 2027: de 11,75% para 12,50% ao ano

Já para o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega, a interrupção dos cortes pode se prolongar até meados de 2027, diante das incertezas fiscais e do cenário internacional.

"O momento exige cautela, prudência. Você tem vários fatores de incerteza no cenário internacional e doméstico que impactam a inflação futura. O prudente seria fazer uma pausa, que pode se prolongar até meados do ano que vem", afirmou em entrevista ao programa Central de Notícias, do SBT News.

As estimativas para a inflação também subiram:

  • 2026: de 5,19% para 5,22%
  • 2027: de 4,34% para 4,76%

Em ambos os casos, as projeções superam o teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação, cujo centro é de 3%.

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