Economia

BC diz que guerra no Oriente Médio traz "incerteza adicional ao cenário de inflação e de crescimento" do PIB

Banco Central afirma em relatório que projeção de expansão da economia segue em 1,6% em 2026, mas "está sujeita" a potenciais efeitos do conflito

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Felipe Moraes
26/03/2026, 11:31 • Atualizado em 26/03/2026, 12:34
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Fachada do Banco Central (BC), em Brasília | Divulgação/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Fachada do Banco Central (BC), em Brasília | Divulgação/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central (BC) afirmou nesta quinta-feira (26), em edição do Relatório de Política Monetária (RPM) referente ao primeiro trimestre do ano, que a guerra no Oriente Médio "traz uma incerteza adicional ao cenário prospectivo de inflação e de crescimento" da economia brasileira.

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"A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,6%, mas está sujeita a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio", informou o BC. Em 2025, a economia subiu 2,3%, "abaixo do ritmo registrado entre 2021 e 2024, com arrefecimento dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico e da demanda doméstica".

A autarquia explicou que o prolongamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã compromete o fluxo de matérias-primas no Estreito de Ormuz, "pressionando os preços para cima". "A alta recente dos preços de energia já fez com que as expectativas de inflação se elevassem", acrescentou.

Na segunda (23), o boletim Focus, que reúne semanalmente projeções do mercado para indicadores econômicos, mostrou que a expectativa para inflação oficial, medida pelo IPCA, subiu de 4,10% a 4,17% em 2026. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Preços dependem não só "da intensidade e duração do conflito, mas da efetividade das respostas"

"Porém, a transmissão do choque de preços das commodities energéticas para o consumidor será heterogênea e dependerá do arcabouço de definição de preços de cada país. A magnitude e a distribuição temporal dos repasses à inflação dependerão não só da intensidade e da duração do conflito, mas também da efetividade das respostas de mitigação. Dependerá também da persistência do choque de oferta sobre a atividade, quer por limitar a capacidade de produzir energia para além do conflito, quer por motivar reorganização defensiva adicional nas cadeias de suprimento", detalhou o BC.

Ainda no tema sobre controle de inflação em cenário impactado pela guerra, o RPM reforçou argumentos do BC na ata do Comitê Política Monetária (Copom), divulgada na terça (24): necessidade de "serenidade e cautela" na condução da política monetária e possíveis novos ajustes na taxa básica de juros, Selic, atrelados a mais "informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo".

"O recente conflito no Oriente Médio eleva o grau de incerteza ao redor das previsões. Em caso de prolongamento, seus efeitos devem ficar mais nítidos. Embora alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar, os efeitos agregados predominantes do conflito, na economia global e na doméstica, devem ser os usuais de um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e diminuindo o crescimento", completou.

Na reunião mais recente do Copom, em março, o colegiado reduziu a Selic em 0,25%, para 14,75% ao ano. A taxa estava no patamar de 15% desde junho de 2025. "O Comitê entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante", reforçou o BC. Próximo encontro do comitê será nos dias 28 e 29 de abril.

Projeções de inflação publicadas pelo boletim Focus na segunda (23) também refletiram esse ambiente de incertezas. O mercado estimou uma redução menor da Selic em 2026, de 12,25% para 12,50%.

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