Economia

B3 perde R$ 166 bilhões em um único dia após Ibovespa cair 3,3%

As dez maiores empresas concentraram 58,7% da perda do dia, somando R$ 97,7 bilhões em valor de mercado, de acordo com a Elos Ayta

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Quase R$ 500 bilhões foram negociados na B3 em janeiro, com destaque para Petrobras e Vale no topo do ranking | Reprodução/Freepik

A forte queda do Ibovespa nessa terça-feira (3) não apenas levou o principal índice da B3 à pior sessão desde dezembro, como também resultou em uma perda bilionária de valor de mercado das empresas listadas.

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Levantamento da consultoria Elos Ayta revela que as empresas listadas na B3 perderam, juntas, R$ 166,4 bilhões em valor de mercado em apenas um dia. A capitalização total passou de R$ 5,524 trilhões em 2 de março para R$ 5,358 trilhões no fechamento do dia 3.

No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 3,28%, aos 183.104 pontos, distante da mínima intradiária de 180.518 pontos, mas bem abaixo dos 189 mil pontos com que iniciou o dia. Ao longo da sessão, o índice chegou a cair mais de 4%, acompanhando o movimento negativo dos mercados globais em meio à escalada das tensões no Oriente Médio após os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel ao Irã no sábado (28).

De acordo com a análise da Elos Ayta, a correção foi altamente concentrada nas chamadas blue chips, papéis de grandes empresas com liquidez. As dez empresas com maiores perdas absolutas de valor de mercado responderam por R$ 97,7 bilhões — o equivalente a 58,7% de toda a perda do mercado no dia.

O bloco das dez maiores companhias saiu de R$ 2,463 trilhões para R$ 2,365 trilhões em capitalização.

Vale perdeu R$ 15,7 bilhões

Entre as maiores perdas em valor de mercado no pregão, o destaque foi o BTG Pactual (BPAC11), que encolheu R$ 22,0 bilhões após suas units caírem quase 6%. A Vale (VALE3) perdeu R$ 15,7 bilhões, com recuo de 4,17%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou redução de R$ 15,2 bilhões em valor de mercado, refletindo a queda de 3,35%.

O Bradesco (BBDC4) encolheu R$ 9,6 bilhões, após cair 4,78%, e a Axxia Energia (AXIA3) perdeu R$ 8,2 bilhões, com baixa de 4,60%. Na sequência, o Banco do Brasil (BBAS3) registrou perda de R$ 6,7 bilhões, com recuo de 4,17%.

A WEG (WEGE3) viu seu valor de mercado diminuir em R$ 5,4 bilhões, após queda de 2,65%, enquanto a Ambev (ABEV3) perdeu R$ 5,3 bilhões, com baixa de 2,14%. O Santander Brasil (SANB11) encolheu R$ 4,8 bilhões, com recuo de 2,45%, mesmo montante perdido pela B3 (B3SA3), cujas ações caíram 5,14% no dia.

Aversão ao risco pesou sobre o Ibovespa

O movimento ocorreu em um dia de forte aversão ao risco. A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou os temores sobre os impactos inflacionários globais, especialmente após o anúncio de bloqueio do Estreito de Hormuz pelo Irã.

Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado também passou a precificar um cenário mais prolongado de tensão no Oriente Médio. "O mercado está sentindo que o conflito pode durar mais tempo, as falas do Trump mesmo corroboram com isso. Acho que há essa percepção de que pode durar semanas, o que é péssimo", afirmou.

O Ibovespa chegou a diminuir o ritmo de queda após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou nesta terça-feira (3) que a Marinha americana oferecerá escolta a navios que atravessarem o Estreito de Hormuz. A declaração ocorre um dia após Teerã anunciar o bloqueio da região e ameaçar embarcações que desrespeitassem a determinação.

"Isso estará disponível para todas as companhias de navegação", escreveu Trump em publicação na rede social Truth Social. "Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível."

Ainda assim, o alívio foi limitado. As perdas nos mercados globais se intensificaram logo cedo com a mudança na percepção dos investidores sobre os possíveis desdobramentos do conflito.

"O mercado havia concluído muito rápido que eventos geopolíticos em geral têm um efeito limitado nas Bolsas, com base em alguma análise olhando o histórico desses eventos e a performance subsequente dos mercados meses depois", escreveu em sua conta no X (antigo Twitter) o estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira.

"Porém, é importante frisar que os eventos geopolíticos que levaram a um choque do petróleo tiveram um impacto bem mais negativo em preços, como a Guerra de Yom Kippur em 1973, a invasão do Kuwait em 1990 e a guerra Rússia/Ucrânia em 2022", complementou.

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