Justiça suspende processo contra 8 PMs acusados de torturar preso por tráfico no RS
Caso envolve policiais da Brigada Militar em Torres; agentes são afastados após investigação apontar tortura e fraude
Guilherme Fadanelli
A Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu o processo contra um homem que foi torturado por policiais militares após ser preso por suspeita de tráfico de drogas em Torres, no litoral norte do estado. O caso levou ao afastamento de oito agentes e de um comandante da Brigada Militar.
Vídeos que teriam sido gravados por um dos próprios policiais mostram o momento em que o suspeito é agredido com socos e chutes após ser abordado.
De acordo com as investigações, os agentes também fizeram ameaças para tentar obter informações sobre um suposto esquema de tráfico de drogas.
Um inquérito da corregedoria da Brigada Militar apontou que os policiais podem ter cometido uma série de crimes, incluindo tortura física e psicológica, fraude processual e falsidade ideológica.
Segundo o relatório, o carro da vítima teria sido danificado propositalmente para simular um acidente de trânsito e justificar os ferimentos.
Além disso, integrantes do setor de inteligência da corporação teriam colocado tijolos de maconha no veículo para sustentar a prisão em flagrante.
Policiais foram afastados
Oito policiais militares foram indiciados e afastados das funções, além do comandante do pelotão envolvido na ocorrência.
O caso agora será encaminhado ao Ministério Público e à Justiça Militar.
Para o especialista em segurança pública Alberto Kopittke, o caso indica um problema estrutural dentro de uma cultura policial.
“Não é do dia para a noite que um policial passa a cometer atos desse tipo. Trata-se de uma trajetória e, muitas vezes, de uma cultura dentro da própria equipe. Para fazer parte, o agente precisa se adequar a esse padrão, o que dificulta que alguém critique ou se oponha. Esse tipo de comportamento — com práticas de tortura e violência por parte de policiais — acaba aproximando a instituição de dinâmicas associadas a milícias.”
Em nota, a Brigada Militar afirmou que repudia qualquer conduta irregular e informou que, além do afastamento, os policiais também vão responder a processos administrativos internos.
As defesas dos agentes disseram que ainda não tiveram acesso completo ao inquérito.









