Economia

Alta do querosene de aviação deve encarecer passagens aéreas

Para economista, repasse pode chegar com velocidade aos passageiros, considerando o início da alta temporada de voos

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Larissa Alves

O preço de venda do querosene de aviação comercializado pela Petrobras às distribuidoras subiu 7,2%, com vigência iniciada no domingo (1º). Em entrevista ao News Primeira Edição, do SBT News, o economista Fernando Agra, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), afirmou que o reajuste deve chegar rapidamente às passagens aéreas e pressionar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

"Isso não demora muito. As passagens aéreas tem uma volatilidade muito grande na inflação, não só por conta dessa questão do custo de produção, mas também pela sazonalidade. Estamos entrando na alta temporada e talvez, nos próximos dias, veremos preços mais caros."

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O aumento anunciado pela Petrobras representa uma elevação de R$ 0,45 por litro em relação a outubro e marca a terceira alta consecutiva do combustível. Em outubro, os valores subiram cerca de 12% em bases do país e, em setembro, a alta média foi de 3,9%.

Petrobras tem participação de cerca de 85% na produção do QAV nacional | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Petrobras tem participação de cerca de 85% na produção do QAV nacional | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

De acordo com a Petrobras, o reajuste reflete cotações internacionais em meio a tensões entre Irã e Estados Unidos e à menor capacidade de refino decorrente do conflito entre Rússia e Ucrânia. Agra declarou que, apesar de ser autossuficiente em petróleo, o Brasil precisa importar entre 15% e 20% do querosene de aviação consumido.

"A gente vive um momento muito adverso na economia internacional. Os problemas começaram na pandemia de covid-19 e foram agravados pela guerra na Ucrânia, que vai completar cinco anos em fevereiro. Para piorar a situação, Trump invadiu o Irã. Esses conflitos têm prejudicado cada vez mais a oferta de petróleo no mundo e, com isso, diminuído também o refino do querosene de avião."

Agra avaliou que o aumento tende a impactar voos que partem do Brasil, tanto em rotas domésticas quanto em voos internacionais ou conexões. "A companhia aérea coloca na ponta do papel os custos que tem para poder formar os preços das passagens. Dependendo de quanto as empresas conseguem encher os aviões, elas vão manter as operações. Mas, para rotas em que esse peso representa um custo cada vez maior, talvez diminuam a oferta."

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