Agência reguladora adia processo de cassação da Enel em SP
Aneel amplia prazo de defesa da distribuidora da Grande SP e posterga decisão para 7 de abril; diretores vão analisar parecer da AGU e do MPF
Caio Barcellos
24/03/2026, 13:40 • Atualizado em 24/03/2026, 20:19
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Enel: Procuradoria de SP alegou que a empresa apresentou falhas reiteradas no fornecimento de energia - Enel/Divulgação
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) concedeu mais 10 dias para que a Enel São Paulo apresente defesa no processo que pode levar à caducidade de sua concessão.
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O prazo foi concedido pelo diretor relator, Gentil Nogueira de Sá Júnior, para que a empresa se manifeste sobre um parecer jurídico recente da AGU (Advocacia-Geral da União) junto à agência. Ao SBT News, o diretor confirmou a concessão do novo prazo.
Na prática, a medida ocorre em meio a uma disputa judicial que já havia suspendido temporariamente o andamento do processo. Na quinta-feira (19), a Justiça Federal do Distrito Federal concedeu liminar à Enel ao apontar risco de aplicação de “penalidade extrema” sem garantia do devido processo legal.
Na segunda-feira (23), o Ministério Público Federal (MPF) pediu a revogação da medida, alegando que a paralisação poderia colocar "em risco a segurança e a economia de milhões de cidadãos paulistanos". O órgão solicitou ainda a declaração de incompetência da Justiça do DF, afirmando que o pedido deveria ser remetido à 12ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo.
Diante desse cenário, a Aneel decidiu aguardar novas manifestações da empresa antes de retomar a deliberação. A agência também avalia medidas para reverter a decisão judicial e dar continuidade ao processo.
Parecer da AGU
O parecer da AGU, concluído na última semana, é considerado peça central para o desfecho do caso. Embora não determine diretamente a cassação do contrato, o documento valida juridicamente o processo conduzido pela Aneel e rebate os principais argumentos da Enel.
A análise sustenta que foram respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa ao longo de toda a tramitação. Também afirma que o rito adotado está de acordo com a legislação e com as normas do setor elétrico.
Um dos pontos centrais do parecer é que a eventual caducidade da concessão não depende apenas do descumprimento de indicadores formais. Segundo a AGU, a concessionária deve garantir a prestação adequada do serviço, o que inclui critérios como continuidade, eficiência e capacidade de resposta.
Nesse sentido, o documento avalia que interrupções prolongadas — em alguns casos superiores a 24 horas — podem caracterizar falhas graves, mesmo quando indicadores médios estão dentro dos limites regulatórios.
Falhas apontadas
A análise técnica da Aneel aponta problemas considerados estruturais na atuação da distribuidora em São Paulo. Entre os pontos citados estão: demora na recomposição do serviço após eventos climáticos, insuficiência de equipes em situações de emergência, dificuldades de mobilização rápida, falhas no planejamento para lidar com eventos extremos.
Segundo o parecer, episódios recentes, como os apagões registrados no fim de 2025, reforçam a avaliação de que as medidas adotadas pela empresa não foram suficientes para melhorar o desempenho operacional.
O documento afirma ainda que a avaliação da concessionária deve se basear em evidências concretas de melhora no serviço, e não apenas em planos ou ações declaradas.
Recomendação do MPF
Nos bastidores, a análise do caso ganhou um novo componente com a inclusão de uma manifestação do MPF (Ministério Público Federal).
De acordo com apuração da reportagem, o entendimento do MP é que a caducidade não é uma medida obrigatória, mas pode ser adotada como recomendação diante do conjunto de evidências reunidas no processo.
Pressão e controle
O processo ocorre sob pressão política para a saída da Enel do Estado. A caducidade do contrato é defendida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e tem apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Além disso, o TCU (Tribunal de Contas da União) deu cinco dias para que a Aneel preste esclarecimentos sobre o caso após a suspensão judicial do processo.
A área de concessão da Enel em São Paulo abrange 24 municípios e cerca de 8 milhões de unidades consumidoras. Caso a diretoria da Aneel recomende a caducidade, a decisão final caberá à pasta de Alexandre Silveira.
Agência reguladora adia processo de cassação da Enel em SPAneel amplia prazo de defesa da distribuidora da Grande SP e posterga decisão para 7 de abril; diretores vão analisar parecer da AGU e do MPFEconomia2026-03-24T13:40:48.747ZA Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) concedeu mais 10 dias para que a Enel São Paulo apresente defesa no processo que pode levar à caducidade de sua concessão. O prazo foi concedido pelo diretor relator, Gentil Nogueira de Sá Júnior, para que a empresa se manifeste sobre um parecer jurídico recente da AGU (Advocacia-Geral da União) junto à agência. Ao SBT News, o diretor confirmou a concessão do novo prazo. Na prática, a medida ocorre em meio a uma disputa judicial que já havia suspendido temporariamente o andamento do processo. Na quinta-feira (19), a Justiça Federal do Distrito Federal ao apontar risco de aplicação de “penalidade extrema” sem garantia do devido processo legal. Na segunda-feira (23), o Ministério Público Federal (MPF) pediu a revogação da medida, alegando que a paralisação poderia colocar "em risco a segurança e a economia de milhões de cidadãos paulistanos". O órgão solicitou ainda a declaração de incompetência da Justiça do DF, afirmando que o pedido deveria ser remetido à 12ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo. Diante desse cenário, a Aneel decidiu aguardar novas manifestações da empresa antes de retomar a deliberação. A agência também avalia medidas para reverter a decisão judicial e dar continuidade ao processo. Parecer da AGU O parecer da AGU, concluído na última semana, é considerado peça central para o desfecho do caso. Embora não determine diretamente a cassação do contrato, o documento valida juridicamente o processo conduzido pela Aneel e rebate os principais argumentos da Enel. A análise sustenta que foram respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa ao longo de toda a tramitação. Também afirma que o rito adotado está de acordo com a legislação e com as normas do setor elétrico. Um dos pontos centrais do parecer é que a eventual caducidade da concessão não depende apenas do descumprimento de indicadores formais. Segundo a AGU, a concessionária deve garantir a prestação adequada do serviço, o que inclui critérios como continuidade, eficiência e capacidade de resposta. Nesse sentido, o documento avalia que interrupções prolongadas — em alguns casos superiores a 24 horas — podem caracterizar falhas graves, mesmo quando indicadores médios estão dentro dos limites regulatórios. Falhas apontadas A análise técnica da Aneel aponta problemas considerados estruturais na atuação da distribuidora em São Paulo. Entre os pontos citados estão: demora na recomposição do serviço após eventos climáticos, insuficiência de equipes em situações de emergência, dificuldades de mobilização rápida, falhas no planejamento para lidar com eventos extremos. Segundo o parecer, episódios recentes, como os apagões registrados no fim de 2025, reforçam a avaliação de que as medidas adotadas pela empresa não foram suficientes para melhorar o desempenho operacional. O documento afirma ainda que a avaliação da concessionária deve se basear em evidências concretas de melhora no serviço, e não apenas em planos ou ações declaradas. Recomendação do MPF Nos bastidores, a análise do caso ganhou um novo componente com a inclusão de uma manifestação do MPF (Ministério Público Federal). De acordo com apuração da reportagem, o entendimento do MP é que a caducidade não é uma medida obrigatória, mas pode ser adotada como recomendação diante do conjunto de evidências reunidas no processo. Pressão e controle O processo ocorre sob pressão política para a saída da Enel do Estado. A caducidade do contrato é defendida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e tem apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Além disso, o TCU (Tribunal de Contas da União) deu cinco dias para que a Aneel preste esclarecimentos sobre o caso após a suspensão judicial do processo. A área de concessão da Enel em São Paulo abrange 24 municípios e cerca de 8 milhões de unidades consumidoras. Caso a diretoria da Aneel recomende a caducidade, a decisão final caberá à pasta de Alexandre Silveira.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/agencia-reguladora-adia-processo-de-cassacao-da-enel-em-sp