Economia

36,5% das exportações do agro aos EUA serão taxadas, diz CNA

Entidade afirma que lista de exceções poupou parte dos produtos brasileiros, mas alerta para o valor bilionário das exportações ainda taxadas

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Murillo Otavio
17/07/2026, 19:51 • Atualizado em 17/07/2026, 19:51
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36,5% das exportações do agro aos EUA serão taxadas, diz CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que pelo menos 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão atingidas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano nesta semana. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17).

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Entre os produtos do setor que serão tarifados estão itens de madeira, arroz, uva, ovos e açúcar, entre outros. Em 2025, esses produtos representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações para o mercado norte-americano.

"A CNA apresentou contribuições técnicas, participou das consultas públicas e esteve presente nas duas audiências realizadas em Washington. Houve defesa do agro brasileiro com apresentação de dados e evidências, mostrando que a competitividade do setor não decorre de práticas desleais de comércio, mas, sim, de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas", afirmou Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da entidade.

Em contrapartida, alguns produtos deixaram de ser alvo da nova taxação. Com a ampliação da lista de exceções, 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos não estará sujeito à tarifa adicional de 25%.

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) que aplicará novas tarifas comerciais de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao país. As tarifas entram em vigor em 22 de julho.

Essa nova etapa do tarifaço promovido pelo presidente Donald Trump foi motivada pela acusação da Casa Branca de que o Brasil adota práticas consideradas desleais e prejudiciais à indústria norte-americana.

Entre os principais problemas apontados pelos Estados Unidos nas relações comerciais com o Brasil estão o Pix, a falta de combate à corrupção, o desmatamento, a taxação sobre o etanol norte-americano, a proteção considerada insuficiente à propriedade intelectual e os acordos comerciais bilaterais do Brasil com México e Índia.

A decisão foi anunciada após o encerramento do prazo de uma semana da audiência pública realizada em Washington, que contou com a participação de empresários brasileiros, integrantes do governo Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência.

No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou um pacote de medidas voltado aos temas apontados pela Casa Branca como justificativa para as novas tarifas. No entanto, a iniciativa não foi suficiente para evitar a decisão do governo dos Estados Unidos.

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