Planalto vê negociações do tarifaço travadas até eleições
Lula segue diplomacia e tenta reagir com frieza a decisão dos EUA


O presidente Lula | Ricardo Stuckert/PR
Auxiliares do presidente Lula no Palácio do Planalto afirmam, nos bastidores, que as negociações com os Estados Unidos em torno do tarifaço só devem avançar de fato após as eleições presidenciais no Brasil, marcadas para outubro deste ano. A avaliação de fontes do governo é que, apesar dos esforços técnicos e diplomáticos, o ambiente político só irá distensionar com a definição do próximo presidente do país.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos atingirá US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo levantamento apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Para o Planalto, caso o presidente Lula ganhe as eleições, os americanos não terão outra saída a não ser retomar as pontes com o Brasil por mais quatro anos. Se Lula perder, o foco dos EUA se voltará para as negociações com o novo governo de transição.
De acordo com interlocutores da gestão Lula, os americanos pediram, durante as negociações anteriores, abertura total, irrestrita e exclusiva aos EUA de setores inteiros da economia brasileira — como o químico, o automotivo e o de minerais críticos —, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros.
Diante disso, a recomendação do Itamaraty foi reagir com frieza, não responder a bravatas e deixar as emoções de lado. “Diplomacia requer estômago”, disse um dos diplomatas, em condição de anonimato. Após uma reação inicial incisiva, por meio de nota divulgada na mesma noite, o Planalto decidiu seguir a orientação dos diplomatas e baixar o tom.
O governo Lula destaca que não tem interesse em fechar canais; porém, não aceitará manifestações ou comentários que agridam um chefe de Estado, como a postagem feita pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.





















