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A saga de uma mulher negra para conquistar um cargo de liderança no Brasil

Na celebração da consciência negra, Foco ESG traz histórias inspiradoras para empresas que buscam ser mais inclusivas

A saga de uma mulher negra para conquistar um cargo de liderança no Brasil
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No Brasil, entre os profissionais desocupados, 65% são negros. Porém, quando empregados, esses ganham 39% menos do que os não negros. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A realidade piora quando além de negro, se é mulher. Uma contradição, já que, conforme pesquisa do IBGE de 2022, elas formam o grupo de maior representatividade do Brasil. Entretanto, também são o de menor participação no mercado de trabalho, com apenas 51,5% delas empregadas. Para superar essa realidade, uma mulher negra precisa se preparar desde cedo.

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A busca pela superação

Em um mundo onde os brancos impõem condições, ser uma mãe negra é ainda mais desafiador. Até amedrontador. Motivo pelo qual elas tentam proteger e preparar seus filhos, às vezes, até exageradamente.

"Minha mãe sempre priorizou a educação. Ela teve todo um esforço para me colocar em escola particular. Porque, na cabeça dela, seria mais efetiva. Então, isso fez com que eu vivenciasse coisas, costumes, rituais absolutamente diferentes daquilo que eu conhecia. Eu tive que aprender a me conhecer, a me perceber. Foi muito difícil até me respeitar nesse processo", contou Michelle Salles, diretora de diversidade, inclusão e saúde mental da Ambev. O processo que ela citou é aquela fase da vida que muitas pessoas pretas passam: fora das comunidades onde vivem, encontram uma branquitude que pressiona psicologicamente, mesmo sem intenção.

"Porque a sociedade é fundamentada no eurocentrismo. Então, passei por poucas e boas, seja no ambiente educacional ou no profissional. Tive que entender sobre o que eu deveria me adaptar e o que não, para que eu não me dissociasse de mim e seguisse em frente", reflete.

Quando adulta, mais informada e confiante, os cabelos alisados de Michelle foram raspados. O crespo tomou conta. "Hoje eu tenho consciência do que é essa minha negritude. Me percebo enquanto mulher negra, meu corpo mais curvilíneo, cabelo crespo, jeito de falar", diz Michelle.

O mercado de trabalho

Mas, o racismo não acaba quando a vítima se empodera. Nem mesmo diminui com a convivência com pessoas mais maduras. Patrícia Silva, assistente executiva e membro do grupo de afinidade étnico-raciais da Bayer, lembra do racismo velado e das camadas que esse preconceito pode ter. "É tão 'normal' o racismo na socidade, que é difícil a gente identificar que aquela questão era racial. Eu encarava como um problema meu. Quantas vezes no mercado de trabalho eu tive problemas que não eram de minha responsabilidade. Porque ainda tem quem pensa: 'como você, uma serviçal, tá respondendo pra mim? Tá dizendo que eu não posso?' Eu trabalhei muito tempo nas áreas contábil e fiscal. Muitas vezes tive que orientar com um 'não'. Não era porque eu não queria. Seguia uma legislação. 'Ah, quem sabe fala num tom mais baixo', já me disseram. Mas, o tom de uma pessoa negra costuma ser mais forte. Não tenho como moldar minhas cordas vocais. Eu sofri muito. Eu tentei mudar", relata ela, que demorou para superar essa situação. "O problema não era eu. Entendi que o 'não' de uma mulher negra, mesmo falando suave, é diferente do 'não' de um homem branco". Pronto. Demorei 30 anos para entender. Mas, nesse tempo, também consegui vencer esse problema. Foi entrando em uma empresa que tem uma cultura organizacional de respeito, de promoção à diversidade".

Por isso que é importante não só contratar. "Não é um processo de representatividade. Não somos troféus. 'Olha, temos aqui uma pessoa preta'. É sobre você ter pessoas que conseguem ter suas vidas ali dentro, se desenvolver, ter qualidade de vida e perceber que aquele ambiente é positivo. é seguro, pode-se confiar. Além de ser a melhor pessoa que possa ser, possa pertencer. O pertencimento tá no processo de segurança psicológica, de saúde mental".

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