Setor de crédito está em aceleração e não em calamidade, diz Montezano
Constatação é do presidente do BNDES em entrevista ao programa Poder em Foco

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, em entrevista ao programa Poder em Foco
No ano passado, por causa da pandemia, o BNDES suspendeu por seis meses o pagamento de parcelas de financiamento com o banco. Depois, esse período foi prorrogado, podendo haver uma adesão até o final de novembro. Só que a pandemia continua.
Montezano avaliou que novas mudanças de prazo poderão atender segmentos específicos. "Para alguns setores, como é o caso de aeroportos, mobilidade urbana, navegação e serviços, a gente pode fazer uma concessão adicional. Mas aí é algo pontual", ressaltou.
Para o presidente do BNDES, o Governo também não precisa trabalhar por novo decreto de calamidade se a análise for econômica. "Não vou ousar comentar sobre saúde que não é minha especialidade, mas sobre o lado de crédito e atividade econômica, o que a gente vê é o oposto, é uma aceleração".
Assista abaixo à entrevista, na íntegra.
Crescimento sustentável
Montezano traçou um cenário de retomada sustentável do crescimento do Brasil em 2021. Para ele, os dados de atividades, recolhimento de imposto, investimento estrangeiro e agenda de investimento apontam um ano de otimismo e a economia já registrou uma volta em V, ou seja, queda brusca, seguida de recuperação rápida.
"Foi um momento muito duro em 2020, com toda a questão sanitária. Mas a verdade é que a gente conseguiu cruzar a ponte. Não só o Estado brasileiro cruzou a ponte, mas as empresas cruzaram a ponte. Então, é hora de investir, é hora de arregaçar a manga e trabalhar", incentivou.
Mas o período ainda será de compensação em relação aos estragos provocados pela covid-19 na economia no ano passado. "Em 2021 a gente vai reverter a queda que a gente teve em 2020. Mas, mais importante do que essa reversão temporária, é a continuidade da agenda de reformas. Aí sim, a gente terá uma agenda de crescimento duradouro de vários anos, como a gente viu no passado aqui no nosso país".
A agenda de reformas, por enquanto, está empacada no Congresso, sem avanço das mudanças tributárias ou da estrutura administrativa do Estado. Montezano ressaltou, porém, que o mercado trabalha com expectativa.
"Ao entrar na agenda de reforma de privatização, de concessões, mantendo o nosso juro sob controle, a disciplina fiscal, a expectativa do mercado é de que o Brasil vai entrar numa agenda de cinco, dez anos de investimento sustentável. E a gente, hoje, tem a condição de fazer isso", concluiu.
Ele também comemorou a aprovação de novos marcos regulatórios para reduzir a burocracia no país e deixar a legislação mais atualizada às demandas de mercado. Disse, porém, que ainda é preciso avançar nesse sentido para aumentar a competitividade.
"A principal agenda que a gente tem é descomplicar o Brasil, é simplificar o Brasil, é tornar o Brasil mais acessível pro empreendedor", finalizou.















