Brasil

Veja alvos da "Abin paralela" de Bolsonaro: Lira, Renan, Barroso, Toffoli, Fux, Moraes, Doria e outros

Policial federal, militar, servidor e ex-assessores foram presos pela PF por arapongagem contra "inimigos da direta", com uso da Abin

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Ricardo Brandt, Felipe Moraes
11/07/2024, 23:24 • Atualizado em 11/07/2024, 23:24
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A Polícia Federal listou os alvos das ações do esquema investigado na Operação Última Milha, que apura arapongagem e ataques em massa via internet com falsas notícias contra "inimigos da direta", que teria atuado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Estão na lista autoridades dos Três Poderes, como o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP), o senador Renan Calheiros (MDB), o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Luiz Fux, além do ex-governador de São Paulo João Doria, de servidores federais do Ibama e da Receita e jornalistas.

A lista de alvos está na ordem de prisões e buscas e apreensões do STF da 4ª fase da Operação Última Milha, deflagrada nesta quinta-feira (11). A ação se baseia em apurações iniciadas em 2023.

Ramagem, ex-ministros, Bolsonaro e seus filhos Carlos (vereador no Rio), Flávio (senador) e Jair Renan são os alvos centrais. Na nova etapa, cinco pessoas tiveram prisão decretada.

Presos na Operação Última Milha 4

  • Marcelo Araújo Bormevet, agente da PF cedido à Abin de Ramagem. Chefiava a Coordenação-geral de Credenciamento de Segurança e Análise de Segurança Corporativa;
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, militar do Exército cedido à Abin de Ramagem. Integrava o Centro de Inteligência Nacional (CIN);
  • Richards Dyer Pozzer, ex-assessor ligado ao gabinete do ódio da "Abin paralela". É influenciador digital;
  • Mateus de Carvalho Spósito, servidor federal ligado ao gabinete do ódio da "Abin paralela". Foi assessor da Coordenação-Geral de Conteúdo e Gestão de Canais da Secretaria de Comunicação Institucional;
  • Rogério Beraldo de Almeida, o último a ser preso, já na tarde desta quinta-feira, é influenciador digital.

A PF investiga desde 2023 o suposto esquema coordenado pelo ex-diretor da Abin de Bolsonaro, o delegado da PF e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), pré-candidato à Prefeitura do Rio. Um grupo de confiança ligado ao clã Bolsonaro usava a estrutura da agência, como softwares de monitoramento de telefones, como o First Mille – referência do nome da operação – para grampear adversários.

O material servia para produzir dossiês e propagar, via internet, falsas notícias, as fake news, para atacar adversário e atrapalhar investigações sobre eles e seus aliados, registra a PF.

Veja a lista dos alvos

STF

  • Alexandre de Moraes
  • Dias Toffoli
  • Luís Roberto Barroso
  • Luiz Fux

Câmara dos Deputados

  • Arthur Lira (PP-AL), presidente
  • Rodrigo Maia, ex-presidente
  • Kim Kataguiri (União-SP)
  • Joice Hasselmann
  • Jean Wyllys (PSOL)

Senado

  • Alessandro Vieira (MDB-SE)
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Renan Calheiros (MDB-AL)
  • Randolfe Rodrigues (sem partido-AP)
  • Sérgio Moro (União-PR)

Executivo

  • João Dória, ex-governador de SP
  • Hugo Ferreira Netto Loss, Ibama
  • Roberto Cabral Borges, Ibama
  • Christiano José Paes Leme Botelho, Receita Federal
  • Cleber Homen da Silva, Receita Federal
  • José Pereira de Barros Neto, Receita Federal

Jornalistas

  • Mônica Bergamo
  • Vera Magalhães
  • Luiza Alves Bandeira
  • Pedro Cesar Batista

Os alvos usaram as redes sociais nesta quinta-feira para atacar a arapongagem de Bolsonaro e o uso político da Abin. O senador Renan Calheiros disse repudiar o uso político da agência.

"Como democrata, lamento e repudio que estruturas do Estado tenham sido criminosamente capturadas para atuar como polícias políticas, com métodos da Gestapo, um pântano repugnante e sem fim. Sigo confiante nas instituições, na apuração, denúncia e julgamento dos culpados."

Alessandro Vieira também usou as redes. "A operação de hoje da PF mostra que fui vítima de espionagem criminosa e ataques on-line praticados por bandidos alojados no poder no governo passado. Isso é típico de governos ditatoriais. O Brasil segue cheio de problemas, mas ao menos do risco de volta da ditadura nos livramos."

A associação de profissionais de inteligência, a Intelis, divulgou uma nota pública em que critica o uso indevido da Abin.

Defesas

Os investigados negam crimes e atacam o uso político das investigações da PF. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que "não existia nenhuma relação" com a Abin e que as operação e a divulgação do documento pelo STF "têm o objetivo de prejudicar a candidatura de delegado Ramagem à prefeitura do Rio de Janeiro".

"Simplesmente não existia nenhuma relação minha com Abin. Minha defesa atacava questões processuais, portanto, nenhuma utilidade que a Abin pudesse ter", disse senador Flávio Bolsonaro.

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