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Uma em cada 4 estudantes brasileiras diz ter sofrido violência sexual, aponta pesquisa do IBGE

Meninas de 13 a 17 anos afirmaram ter sido tocadas, beijadas ou ter tido o corpo exposto contra vontade; 8,8% dos alunos foram forçados a ter relação sexual

Imagem da noticia Uma em cada 4 estudantes brasileiras diz ter sofrido violência sexual, aponta pesquisa do IBGE
Estudantes em Centro Integrado de Educação Pública (CIEP), no Rio de Janeiro | Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Uma em cada quatro meninas brasileiras entre 13 e 17 anos já passou por algum tipo de violência sexual ao longo da vida. É o que revela a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada com estudantes de escolas públicas e privadas em todo o país e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25).

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Segundo o levantamento, 26% das estudantes afirmaram ter sido tocadas, manipuladas, beijadas ou ter tido partes do corpo expostas contra a própria vontade. O índice é mais que o dobro do registrado entre os meninos, 10,9%.

🔎 A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação (MEC), fornece indicadores sobre fatores de risco e proteção de estudantes. A 5ª edição, de 2024, faz um levantamento desta população, estimada em mais de 12,3 milhões de estudantes de 13 a 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país.

No total, 18,5% dos estudantes ouvidos disseram já ter vivido esse tipo de situação alguma vez. O dado representa um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação a 2019, com avanço mais acentuado entre meninas e alunos da rede pública.

Entre os mais velhos, de 16 e 17 anos, o percentual de vítimas chega a 20,9%, acima dos 17,1% registrados entre jovens de 13 a 15 anos.

Outro dado que chama atenção é o contexto em que essas violências ocorrem. Em muitos casos, os agressores fazem parte do convívio das vítimas. Entre os mais citados estão outras pessoas (24,6%), familiares (24,4%) e desconhecidos (24,0%), além de parceiros e amigos.

8,8% foram forçados a ter relação sexual

A PeNSE também aponta que 8,8% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram já ter sido forçados a manter relação sexual contra a própria vontade, o equivalente a mais de 1,1 milhão de adolescentes. O dado representa um aumento de 2,5 p.p. em relação ao registrado em 2019.

Em grande parte dos casos, a violência aconteceu ainda na infância: 66,2% das vítimas tinham 13 anos ou menos quando sofreram o abuso.

O problema atinge mais meninas e alunos da rede pública, com taxas de 11,7% e 9,3%, respectivamente. Embora os registros sejam ligeiramente maiores entre adolescentes de 16 e 17 anos (9,7%), a incidência entre jovens de 13 a 15 anos também é significativa (8,2%).

A violência sexual está presente em todas as regiões do país, com maior prevalência no Norte (11,7%). Entre os estados, Amazonas (14%), Amapá (13,5%) e Tocantins (13%) concentram os maiores percentuais.

Na maior parte dos casos, o agressor faz parte do convívio da vítima. Outros membros da família foram apontados por 26,6% dos estudantes, seguidos por pessoas desconhecidas (23,2%) e namorado(a) (22,6%).

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