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Quais as provas contra Bolsonaro no relatório da Polícia Federal? Veja principais trechos

Nome do ex-presidente é citado pelos investigadores mais de 500 vezes ao longo das 880 páginas

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Gabriella Furquim
26/11/2024, 23:35 • Atualizado em 26/11/2024, 23:40
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Quais as provas contra Bolsonaro no relatório da Polícia Federal? Veja principais trechos

O relatório da Polícia Federal (PF) é categórico ao afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha “plena consciência” e “participação ativa” na trama golpista revelada pelas investigações. Além disso, segundo o relatório, o golpe de Estado só não se consumou “em razão de circunstâncias alheias à vontade” de Bolsonaro. Mas quais as provas apresentadas contra o ex-presidente?

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O nome de Bolsonaro é citado mais de 500 vezes ao longo das 880 páginas apresentadas pela polícia. São apontados oito episódios em que Bolsonaro teria participado. Os principais deles tratam da campanha contra as urnas eletrônicas, a elaboração da minuta golpista e as reuniões nas quais teria sido discutido o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa os assassinatos de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.

Fraude nas eleições

Os investigadores apontam que Bolsonaro incentivou a campanha para descredibilizar as eleições de 2022. O ex-presidente, segundo o relatório, realizou lives e promoveu reuniões para sustentar a narrativa de que a disputa seria fraudulenta, além de ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), então comandado pelo ministro Alexandre de Moraes.

O relatório aponta que o ex-presidente propagou "o discurso de vulnerabilidades das urnas e de que havia ocorrido fraude eleitoral". E, para isso, contou com o apoio de integrantes do governo, como do ex-diretor da Agência da Brasileira de Inteligência (Abin) e hoje deputado federal, Alexandre Ramagem.

Os investigadores também citam reunião que ocorreu em 8 de julho de 2002, que, segundo o relatório, tinha como objetivo “cobrar ministros de Estado” para que endossassem e repercutissem as declarações questionando o sistema eleitoral.

O texto diz ainda que outros integrantes do então governo, como o ministro da Justiça Anderson Torres, o ministro da Defesa Paulo Sérgio, do ministro do GSI, Augusto Heleno e do Secretário-geral da Presidência em exercício, Mario Fernandes, seguiram exatamente a metodologia, propagando e disseminando alegações falsas de manipulações de votos nas eleições

Além disso, a PF aponta a representação protocolada no TSE após o segundo turno das eleições. O processo, apresentado pelo partido de Bolsonaro, o PL, comandado por Valdemar Costa Neto, também indiciado, questionava o resultado das eleições. Segundo os investigadores, a ação foi protocolada apenas para incentivar o discurso de fraudes com a “ciência e autorização” de Bolsonaro.

A campanha para desacreditar o sistema eletrônico de votação seria um dos passos para implementar o plano golpista para manter Bolsonaro no poder, segundo os investigadores.

Decreto golpista

Os investigadores apontam que Bolsonaro não só participou da elaboração do decreto golpista como também teria assinado o documento, que previa medidas extremas como a anulação das eleições de 2022.

O relatório traz trecho do depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, em que o militar afirma que o ex-presidente pediu que o texto fosse alterado. Cid disse durante a oitiva que Bolsonaro pediu que trechos fossem retirados e que fosse mantido apenas dois pontos principais: "a determinação de prisão do ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições presidenciais".

O decreto chegou a ser apresentado aos comandantes das três Forças na época, mas os chefes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a participar da iniciativa golpista. Em outro trecho, os investigadores apresentam conversas de Mauro Cid, o coronel Sérgio Cavalieri e um interlocutor identificado como Riva. Nos prints, Riva afirma: “Rasgaram o documento que o 01 assinou”.

Diante da recusa dos comandantes do Exército e da Aeronáutica em aderirem ao plano golpista, Bolsonaro teria se reunido com o general Estevam Theóphilo, na época comandante do Comando de Operações Terrestre, no dia 9 de dezembro de 2022.

“Diante da recusa dos então comandantes do Exército e da Aeronáutica em aderirem ao intento golpista, o então presidente Jair Bolsonaro, no dia 9 de dezembro de 2022, reuniu-se com o general Estevam Theóphilo, comandante do Coter, que aceitou executar as ações a cargo do Exército e capitanear as tropas terrestres, caso o então presidente Jair Bolsonaro assinasse o decreto”, diz trecho do relatório.

Bolsonaro também teria participado de “ações de pressão ao comandante do Exército”. Segundo os investigadores, o ex-presidente tinha ciência e autorizou a divulgação de “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, que tentava convencer a população e o alto escalão das Forças Armadas a aderirem ao golpe, usando como argumento, inclusive, a suposta fraude eleitoral.

Punhal Verde e Amarelo

A PF também aponta no relatório que o cruzamento de provas colhidas durante as investigações indicam que Bolsonaro sabia do plano Punhal Verde Amarelo. O documento, encontrado com o general da reserva Mario Fernandes, tratava dos assassinatos do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

“As evidências colhidas, tais como os registros de entrada e saída de visitantes do Palácio do Alvorada, conteúdo de diálogos entre interlocutores de seu núcleo próximo, análise de ERBs, datas e locais de reuniões, indicam que Jair Bolsonaro tinha pleno conhecimento do planejamento operacional (Punhal Verde e Amarelo), bem como das ações clandestinas praticadas sob o codinome Copa 2022”, aponta trecho do relatório.

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