Brasil

Proibição de redes sociais para menores divide especialistas e famílias

Enquanto países restringem acesso de adolescentes, especialistas alertam para riscos e defendem supervisão e educação digital

O sucesso nas redes sociais tem chegado cada vez mais cedo. Mary, de apenas 11 anos, já acumula seguidores e produz conteúdo na internet.

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Mas o acesso é totalmente supervisionado pela mãe, Suellen, que administra os perfis e acompanha todas as publicações da filha. + Indústria criativa do Brasil propõe diálogo com empresas de IA sobre uso de conteúdo protegido

“Ela só tem acesso na minha presença. Quando quer gravar vídeo, é 100% supervisionado”, afirma. A mãe também reforça que a criança não pode publicar ou interagir sem autorização.

O caso mostra uma realidade cada vez mais comum: crianças e adolescentes conectados desde cedo, enquanto famílias tentam equilibrar liberdade e segurança no ambiente digital.

Na Austrália, menores de 16 anos estão proibidos de ter contas em plataformas como Instagram, Facebook e TikTok, mesmo com autorização dos pais. A medida tem como objetivo reduzir riscos associados ao uso precoce das redes.

Outros países, como Reino Unido e Espanha, também avaliam adotar restrições semelhantes. Especialistas apontam que o uso excessivo pode causar dependência e aumentar o tempo de exposição às telas.

Dependência e riscos além das redes

A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Telma Vinha, explica que os mecanismos das plataformas são projetados para manter o usuário conectado por mais tempo.

“A reprodução automática e o fluxo contínuo de conteúdo fazem com que adolescentes passem muito tempo conectados, o que pode gerar dependência”, afirma.

Apesar disso, a proibição total pode não ser a solução ideal. Isso porque os adolescentes podem migrar para outras plataformas menos conhecidas e potencialmente mais perigosas.

Segundo Mariana Ochs, coordenadora do Educamídia, programa desenvolvido para engajar a sociedade no processo de educação midiática de crianças e adolescentes, os riscos vão além das redes sociais tradicionais e incluem a exposição a conteúdos violentos, assédio e o contato com pessoas mal-intencionadas.

“A gente não eliminou os perigos. Os riscos de exposição a conteúdos violentos, de sexualização e de violência de gênero nos ambientes digitais continuam existindo. Situações como o compartilhamento de imagens íntimas não circulam apenas nas redes sociais, mas principalmente entre pessoas do mesmo convívio. Por isso, é importante que os jovens consigam identificar essas situações como perigosas e inadequadas”, afirmou.

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