Brasil

Polícia prende mulher suspeita de tortura e exploração sexual em terreiro de umbanda no DF

Investigação revelou que suspeita submetia vítimas a violência extrema e mantinha casa de prostituição dentro do local de culto

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Vanessa Vitória
11/03/2025, 16:02 • Atualizado em 11/03/2025, 16:02
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Investigação revelou que suspeita submetia vítimas a violência extrema e mantinha casa de prostituição dentro do local de culto | Reprodução

Investigação revelou que suspeita submetia vítimas a violência extrema e mantinha casa de prostituição dentro do local de culto | Reprodução

Uma mulher de 22 anos que se apresentava como mãe de santo foi presa no Gama, Região Administrativa do Distrito Federal. Hayara Vitória Pereira Nunes é suspeita de tortura, exploração sexual de crianças e adolescentes e de manter uma casa de prostituição dentro de um terreiro de umbanda. A prisão ocorreu na última quinta-feira (6), por meio da operação Black Magic, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

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Segundo investigações, uma das vítimas, um adolescente de 17 anos, sofreu queimaduras graves nas mãos, na cabeça e na língua. Ele foi agredido com pauladas e teve de passar por cirurgia devido à gravidade das lesões. A mãe do jovem, que prefere não se identificar, relatou como foram as agressões. Ela conta que o filho não reagiu, pois temia sofrer ainda mais violência.

"Ele foi queimado com uma concha de ferro. Colocaram brasas de fogo nela e foi queimada uma a uma. Pediram para ele estender as mãos e ele estendeu. Pediram para ele colocar a língua para fora e, se ele não fizesse isso, ia ser pior", conta.

Uma das vítimas, um adolescente de 17 anos, sofreu queimaduras graves nas mãos, na cabeça e na língua | Divulgação/Angelio Damião/SBT Brasília
Uma das vítimas, um adolescente de 17 anos, sofreu queimaduras graves nas mãos, na cabeça e na língua | Divulgação/Angelio Damião/SBT Brasília

"Ela ia me ajudar em tudo", diz vítima

Segundo o adolescente, ele foi morar no terreiro acreditando que teria liberdade e que Hayara o ajudaria em sua transição de gênero. A suspeita teria prometido conseguir um emprego e providenciar hormônios para ele.

"Ela propôs que ela ia me ajudar a arrumar emprego, que ia me ajudar com os hormônios, que ia me ajudar em tudo, me dar apoio", afirma.

A polícia descobriu que, além das agressões, o terreiro funcionava como uma casa de prostituição. De acordo com o delegado William Andrade Ricardo, que investiga o caso, no local havia indicativos de que o ponto também era um prostíbulo.

"No estabelecimento tinha uma espécie de luz vermelha, característica de locais de prostituição, onde se realizava a exploração sexual. Foram feitos anúncios na internet para exploração sexual, tanto em relação à vítima de 35 quanto em relação ao jovem de 17 anos", revela.

O adolescente contou que, mesmo após sofrer as queimaduras, permaneceu no terreiro por seis dias antes de conseguir fugir. Ele escapou durante a madrugada, enquanto os moradores do local dormiam. Durante esse período, sentiu fortes dores, mas não recebeu atendimento médico.

Outra vítima, uma mulher de 35 anos, também fugiu do local após ser agredida. Sem família em Brasília, ela procurou a polícia, mas, com medo da suspeita, não revelou os crimes e inventou que havia sido vítima de violência doméstica para conseguir abrigo.

Após cruzamento de informações entre as denúncias, os investigadores localizaram a mulher antes de ela deixar o Distrito Federal. Ainda se recuperando dos ferimentos, ela confessou que mentiu por medo e relatou ter levado pontos na cabeça e pauladas no braço.

Durante as investigações, Hayara se mudou para Planaltina de Goiás, região do entorno do DF. No momento da prisão, ela estava com o marido, filhos pequenos e outros parentes. Uma das vítimas afirmou que todos no local tinham conhecimento sobre a prostituição e presenciavam as torturas.

A Polícia Civil acredita que existam outras vítimas, que, por medo, não fizeram denúncias. O delegado reforçou que outros adolescentes frequentavam o terreiro e pediu que possíveis vítimas procurem a polícia para relatar os crimes.

A reportagem tentou contato com a defesa de Hayara Vitória Pereira Nunes, mas não obteve retorno até o momento.

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