A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema para comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil por meio de ações coordenadas em redes sociais.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos mandados de busca e apreensão, em Brasília, contra o publicitário Thiago Miranda, fundador da agência MiThi. A decisão permite a apreensão de documentos físicos e eletrônicos, celulares, computadores, registros contábeis, contratos, valores em espécie, além do acesso a dados armazenados em nuvem relacionados aos investigados, desde que vinculados ao objeto da investigação.
Segundo a decisão, a investigação apura a atuação de um suposto núcleo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que teria sido criado para proteger os interesses do Banco Master, manipular a opinião pública e intimidar concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.
A apuração aponta que influenciadores e jornalistas eram procurados para publicar conteúdos favoráveis ao banco e fazer críticas ao Banco Central durante o processo de liquidação da instituição. As propostas incluíam contratos com cláusulas de confidencialidade e pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões.
A investigação também foca em uma suposta estratégia para obter informações sigilosas de forma indevida e intimidar jornalistas que publicavam reportagens sobre o Banco Master e Vorcaro. Entre os casos está o da colunista Malu Gaspar, de O Globo, que produziu uma série de reportagens sobre a crise da instituição financeira.
De acordo com a PF, os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos relacionados, como possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
O que diz a defesa de Thiago Miranda?
A defesa de Thiago Miranda divulgou nota na qual nega as suspeitas apontadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e afirma que o empresário não praticou qualquer ato ilegal.
"Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros", afirmou.
A defesa também ressalta que a existência de uma investigação não permite antecipar qualquer conclusão sobre culpa e defende a preservação das garantias constitucionais. Na nota, os advogados afirmam que o investigado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração dos fatos.
Por fim, a defesa informa que acompanhará todas as etapas do procedimento e adotará as medidas judiciais cabíveis para assegurar que a investigação transcorra com equilíbrio, observância das garantias legais e sem conclusões precipitadas.
Caso Malu Gaspar
Em mensagens de março e abril de 2025 obtidas pela PF e divulgadas pelo site Fatos on-line, Vorcaro teria pedido ao publicitário Thiago Miranda que encontrasse informações que pudessem comprometer a jornalista Malu Gaspar.
Nas conversas, Miranda afirma que iria "revirar a vida" de Malu Gaspar e, posteriormente, envia dados pessoais, como informações sobre familiares, contas bancárias, endereço e veículo da jornalista. Em outra troca de mensagens, o publicitário escreveu que precisava "arrumar uma forma de calar essa mulher".
A PF suspeita que essas informações tenham sido acessadas por meio de plataformas de consulta de dados sigilosos.
De acordo com a investigação, Vorcaro e Miranda também discutiram a possibilidade de oferecer uma proposta de contratação à jornalista como forma de interromper as reportagens sobre o Banco Master. A defesa de Thiago Miranda afirmou anteriormente à imprensa que não teve acesso ao conteúdo das mensagens e, por isso, não poderia se manifestar sobre o material.
Thiago Miranda admitiu projeto com Vorcaro, mas negou crime
Em maio, a coluna de Cézar Feitoza revelou que Thiago Miranda confirmou à Polícia Federal ter idealizado o projeto contratado por Vorcaro para mobilizar influenciadores digitais em uma campanha destinada a melhorar a imagem do Master e do próprio empresário nas redes sociais.
Em depoimento, Miranda afirmou que apresentou a proposta a Vorcaro em dezembro do ano passado, em reunião com o banqueiro em São Paulo. Vorcaro havia sido solto poucos dias antes.
Os dados repassados à Polícia Federal indicam que Vorcaro pagaria mais de R$ 3 milhões por mês pela ação de marketing. O valor seria usado pela agência de marketing MiThi para contratar influenciadores digitais para fazer publicações contra a atuação do Banco Central.
Na ocasião, a defesa de Miranda argumentou que o contrato continha cláusulas que proibiam os influenciadores de atacar instituições públicas ou autoridades.
"É necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita — voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações — de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal", disse a defesa de Miranda, em nota.
O advogado Rafael Martins ainda afirmou que a atuação de Miranda estava focada no "campo técnico da comunicação reputacional" e da "gestão de crise". "Logo, ao contrário de versões divulgadas, em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado", completou.
PF mira publicitário ligado a Vorcaro em nova operaçãoSão cumpridos mandados de busca em Brasília e Thiago Miranda é apontado como principal alvo de nova fase da Operação Compliance Zero
Brasil2026-07-09T19:22:40.389ZA Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema para comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil por meio de ações coordenadas em redes sociais. Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos mandados de busca e apreensão, em Brasília, contra o publicitário Thiago Miranda, fundador da agência MiThi. A decisão permite a apreensão de documentos físicos e eletrônicos, celulares, computadores, registros contábeis, contratos, valores em espécie, além do acesso a dados armazenados em nuvem relacionados aos investigados, desde que vinculados ao objeto da investigação. Segundo a decisão, a investigação apura a atuação de um suposto núcleo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que teria sido criado para proteger os interesses do Banco Master, manipular a opinião pública e intimidar concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central. A apuração aponta que influenciadores e jornalistas eram procurados para publicar conteúdos favoráveis ao banco e fazer críticas ao Banco Central durante o processo de liquidação da instituição. As propostas incluíam contratos com cláusulas de confidencialidade e pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões. A investigação também foca em uma suposta estratégia para obter informações sigilosas de forma indevida e intimidar jornalistas que publicavam reportagens sobre o Banco Master e Vorcaro. Entre os casos está o da colunista Malu Gaspar, de O Globo, que produziu uma série de reportagens sobre a crise da instituição financeira. De acordo com a PF, os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos relacionados, como possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos. O que diz a defesa de Thiago Miranda? A defesa de Thiago Miranda divulgou nota na qual nega as suspeitas apontadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e afirma que o empresário não praticou qualquer ato ilegal. "Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros", afirmou. A defesa também ressalta que a existência de uma investigação não permite antecipar qualquer conclusão sobre culpa e defende a preservação das garantias constitucionais. Na nota, os advogados afirmam que o investigado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração dos fatos. Por fim, a defesa informa que acompanhará todas as etapas do procedimento e adotará as medidas judiciais cabíveis para assegurar que a investigação transcorra com equilíbrio, observância das garantias legais e sem conclusões precipitadas. Caso Malu Gaspar Em mensagens de março e abril de 2025 obtidas pela PF e divulgadas pelo site Fatos on-line, Vorcaro teria pedido ao publicitário Thiago Miranda que encontrasse informações que pudessem comprometer a jornalista Malu Gaspar. Nas conversas, Miranda afirma que iria "revirar a vida" de Malu Gaspar e, posteriormente, envia dados pessoais, como informações sobre familiares, contas bancárias, endereço e veículo da jornalista. Em outra troca de mensagens, o publicitário escreveu que precisava "arrumar uma forma de calar essa mulher". A PF suspeita que essas informações tenham sido acessadas por meio de plataformas de consulta de dados sigilosos. De acordo com a investigação, Vorcaro e Miranda também discutiram a possibilidade de oferecer uma proposta de contratação à jornalista como forma de interromper as reportagens sobre o Banco Master. A defesa de Thiago Miranda afirmou anteriormente à imprensa que não teve acesso ao conteúdo das mensagens e, por isso, não poderia se manifestar sobre o material. Thiago Miranda admitiu projeto com Vorcaro, mas negou crime Em maio, a revelou que Thiago Miranda confirmou à Polícia Federal ter idealizado o projeto contratado por Vorcaro para mobilizar influenciadores digitais em uma campanha destinada a melhorar a imagem do Master e do próprio empresário nas redes sociais. Em depoimento, Miranda afirmou que apresentou a proposta a Vorcaro em dezembro do ano passado, em reunião com o banqueiro em São Paulo. Vorcaro havia sido solto poucos dias antes. Os dados repassados à Polícia Federal indicam que Vorcaro pagaria mais de R$ 3 milhões por mês pela ação de marketing. O valor seria usado pela agência de marketing MiThi para contratar influenciadores digitais para fazer publicações contra a atuação do Banco Central. Na ocasião, a defesa de Miranda argumentou que o contrato continha cláusulas que proibiam os influenciadores de atacar instituições públicas ou autoridades. "É necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita — voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações — de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal", disse a defesa de Miranda, em nota. O advogado Rafael Martins ainda afirmou que a atuação de Miranda estava focada no "campo técnico da comunicação reputacional" e da "gestão de crise". "Logo, ao contrário de versões divulgadas, em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado", completou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/pf-faz-nova-fase-da-compliance-zero-e-mira-publicitario