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PF mira publicitário ligado a Vorcaro em nova operação

São cumpridos mandados de busca em Brasília e Thiago Miranda é apontado como principal alvo de nova fase da Operação Compliance Zero

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José Matheus Santos, Anita Prado
09/07/2026, 19:22 • Atualizado em 09/07/2026, 20:26
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Publicitário Thiago Miranda. | Reprodução/Redes sociais

Publicitário Thiago Miranda. | Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema para comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil por meio de ações coordenadas em redes sociais.

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Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília. O principal alvo da operação é o publicitário Thiago Miranda, fundador da agência MiThi. A PF identificou que Miranda atuava como intermediário entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a campanha com influenciadores digitais voltada a criticar o BC após a liquidação da instituição.

A investigação também foca em uma suposta estratégia para obter informações sigilosas de forma indevida e intimidar jornalistas que publicavam reportagens sobre o Banco Master e Vorcaro. Entre os casos está o da colunista Malu Gaspar, de O Globo, que produziu uma série de reportagens sobre a crise da instituição financeira.

Em mensagens de março e abril de 2025 obtidas pela PF e divulgadas pelo site Fatos on-line, Vorcaro teria pedido ao publicitário Thiago Miranda que encontrasse informações que pudessem comprometer a jornalista. Nas conversas, Miranda afirma que iria "revirar a vida" de Malu Gaspar e, posteriormente, envia dados pessoais, como informações sobre familiares, contas bancárias, endereço e veículo da jornalista. Em outra troca de mensagens, o publicitário escreveu que precisava "arrumar uma forma de calar essa mulher".

De acordo com a investigação, Vorcaro e Miranda também discutiram a possibilidade de oferecer uma proposta de contratação à jornalista como forma de interromper as reportagens sobre o Banco Master. A defesa de Thiago Miranda afirmou anteriormente à imprensa que não teve acesso ao conteúdo das mensagens e, por isso, não poderia se manifestar sobre o material.

Ainda segundo a Polícia Federal, as investigações apuram a atuação de uma possível organização criminosa suspeita de monitorar ilegalmente pessoas ligadas a autoridades públicas e adotar medidas para interferir em investigações criminais.

De acordo com a PF, os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos relacionados, como possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.

Thiago Miranda admitiu projeto com Vorcaro, mas negou crime

Em maio, a coluna de Cézar Feitoza revelou que Thiago Miranda confirmou à Polícia Federal ter idealizado o projeto contratado por Vorcaro para mobilizar influenciadores digitais em uma campanha destinada a melhorar a imagem do Master e do próprio empresário nas redes sociais.

Em depoimento, Miranda afirmou que apresentou a proposta a Vorcaro em dezembro do ano passado, em reunião com o banqueiro em São Paulo. Vorcaro havia sido solto poucos dias antes.

Os dados repassados à Polícia Federal indicam que Vorcaro pagaria mais de R$ 3 milhões por mês pela ação de marketing. O valor seria usado pela agência de marketing MiThi para contratar influenciadores digitais para fazer publicações contra a atuação do Banco Central.

Na ocasião, a defesa de Miranda argumentou que o contrato continha cláusulas que proibiam os influenciadores de atacar instituições públicas ou autoridades.

"É necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita — voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações — de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal", disse a defesa de Miranda, em nota.

O advogado Rafael Martins ainda afirmou que a atuação de Miranda estava focada no "campo técnico da comunicação reputacional" e da "gestão de crise". "Logo, ao contrário de versões divulgadas, em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado", completou.

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