Brasil

Operação resgata mais de 500 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Mato Grosso

Funcionários eram obrigados a tomar banho com canecas e a trabalhar 22 horas por dia; pessoas prestaram depoimento e confirmaram violações

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Marcos Santos
07/08/2025, 12:35 • Atualizado em 08/08/2025, 01:25
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Uma operação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Federal (PF) resgatou 563 trabalhadores em condições análogas à escravidão na obra da TAO Construtora em Porto Alegre do Norte, município de Mato Grosso.

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Segundo o MPT, no dia 20 de julho, um incêndio destruiu os alojamentos onde os funcionários estavam e, desde então, as condições se tornaram degradantes. Durante as fiscalizações, foi constatado que os trabalhadores dormiam em quartos superaquecidos, com apenas um ventilador para quatro pessoas e colchões de má qualidade.

Alguns funcionários chegavam a dormir no chão sob as mesas, quando não havia camas disponíveis. Após o incêndio, o alojamento apresentou problemas no fornecimento de energia, o que causou a interrupção do bombeamento de água. Os trabalhadores eram obrigados a tomar banho com canecas e a enfrentar filas enormes para usar o banheiro.

Além dos problemas estruturais, as investigações revelaram graves irregularidades na jornada de trabalho | Divulgação/MPT
Além dos problemas estruturais, as investigações revelaram graves irregularidades na jornada de trabalho | Divulgação/MPT
Além dos problemas estruturais, as investigações revelaram graves irregularidades na jornada de trabalho. As pessoas chegavam a trabalhar até 22 horas por dia. As horas extras eram controladas separadas e pagas em cheques ou dinheiro, fora da folha de pagamento, caracterizando sonegação fiscal.

Eles atuavam nas obras de uma usina de etanol e foram recrutados de outros estados, especialmente de Maranhão, Pará e Piauí. As audiências administrativas foram realizadas entre 30 de julho e 5 de agosto. Os trabalhadores prestaram depoimento e confirmaram as violações.

A empresa TAO Construtora possui quatro obras em Mato Grosso, e a obra em Porto Alegre do Norte é a maior delas. Ao todo, companhia emprega mais de 1.200 pessoas. O Ministério Público está em processo de negociação do termo de ajuste de conduta da empresa, a fim de garantir os direitos trabalhistas de funcionários, como: rescisões, indenizações e o pagamento de matérias dos trabalhadores destruídos no incêndio; pelo menos 60 deles perderam todos os pertences pessoais.

A empresa foi obrigada a alojar os funcionários em hotéis e casas alugadas na cidade. Após o incêndio, foram registradas 18 demissões por justa causa, 173 pedidos de rescisão antecipada e 42 pedidos de demissão. As investigações por parte do MPT continuam, e não está descartada a necessidade de novas inspeções no local.

Em nota, a TAO afirmou que "a garantiu acesso irrestrito às instalações e documentos, além de atuar no acolhimento e realocação dos colaboradores afetados", e que "repudia veementemente qualquer prática análoga à escravidão ou tráfico de pessoas, e seguirá colaborando com as investigações".

Leia a nota da empresa

A TAO Construtora, com mais de 20 anos de atuação no setor da construção civil e mais

de 80 obras executadas, informa que vem colaborando integralmente com as autoridades

nas apurações relacionadas à obra em Porto Alegre do Norte (MT), após um incêndio criminoso ocorrido em 20 de julho, provocado por um grupo isolado de trabalhadores.

Desde o início da fiscalização, a empresa garantiu acesso irrestrito às instalações e documentos, além de atuar no acolhimento e realocação dos colaboradores afetados.

Ressaltamos que, até o momento, não há autuação formal contra a empresa.

A TAO reforça seu compromisso histórico com práticas trabalhistas éticas, respeito à legislação e aos direitos dos trabalhadores. Importante destacar que uma grande quantidade de

colaboradores manifestou o desejo de retornar ao trabalho, o que demonstra a relação de

confiança construída no canteiro de obras.

A empresa firmou, com o Ministério Público do Trabalho, um Termo de Ajustamento de

Conduta (TAC) com caráter emergencial e reparatório, sem confissão de culpa, como forma

de garantir suporte imediato aos trabalhadores e manter seu compromisso com a transparência e o diálogo.

A TAO Construtora repudia veementemente qualquer prática análoga à escravidão ou

tráfico de pessoas, e seguirá colaborando com as investigações, confiando que a verdade será

esclarecida com responsabilidade e respeito ao devido processo legal.

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