Brasil

Número de baleados cresce e eleva pressão sobre hospitais públicos no Rio

Região metropolitana registra mais de seis tiroteios por dia; profissionais de saúde enfrentam o desafio de salvar vidas em meio à escalada da violência

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SBT Brasil
21/10/2025, 23:44 • Atualizado em 22/10/2025, 01:58
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A região metropolitana do Rio de Janeiro registra média de 6,6 tiroteios por dia em 2025, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Salvar a vida dos baleados, vítimas dessa violência crescente, tornou-se o maior desafio enfrentado por médicos nos hospitais públicos do estado.

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Os casos de pessoas baleadas cresceram 5,4% em 2025, ainda de acordo com o Instituto Fogo Cruzado. A emergência na segurança pública tem impacto direto na rotina das unidades de saúde.

No Hospital Adão Pereira Nunes, na Baixada Fluminense, a maior referência em trauma do estado, 10% dos atendimentos são de vítimas com perfurações por armas de fogo.

“A agilidade nesse atendimento é primordial para garantir o melhor resultado no tratamento desse paciente”, explica Pedro Velloso, coordenador do setor de trauma do hospital.

A unidade recebe, em média, 38,9 baleados por mês. Cada caso exige a atuação de uma equipe especializada com cerca de 12 profissionais. Essas ocorrências são classificadas pelos médicos como PAF — perfuração por arma de fogo.

“A gente tem uma equipe 24 horas preparada de neurocirurgia, por exemplo, se for um PAF, um tiro na cabeça. Se for um tiro no abdômen, a gente tem uma equipe preparada de cirurgia geral. Até mesmo se for um PAF num osso, um osso da perna, transfixando, a gente tem uma equipe de ortopedia preparada 24 horas também”, detalha o diretor do hospital, Thiago Resende.

Muitos pacientes chegam com ferimentos graves, como tiros na cabeça. A prioridade é estabilizar os sinais vitais e a respiração, para só então encaminhar o paciente para exames de imagem ou cirurgia.

“A primeira coisa que a gente faz é estabilizar os sinais vitais, a respiração. Depois de estabilizado, ou a gente leva direto para o centro cirúrgico, onde já tem uma sala preparada, ou, se tiver tempo e condições, o paciente é levado para a imagem, para fazer um exame de raio-x ou uma tomografia emergencial”, completa o diretor.

Esses exames são fundamentais para o planejamento da cirurgia, como destaca o médico radiologista Bruno Scoralick: “através desse exame, a gente consegue fazer uma avaliação clínica e anatômica do trauma do paciente e ele vai ser fundamental para o planejamento cirúrgico.”

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