"Não são criminosos comuns": ex-promotor de Justiça relembra caso Richtofen
Roberto Tardelli, que esteve à frente do julgamento, detalhou aspectos do crime e da persona de Suzane Von Richtofen

SBT News
"Sem a Suzane, não teria crime", afirmou o criminalista e ex-promotor de Justiça, Roberto Tardelli, em conversa com os repórteres Fábio Diamante e Robinson Cerantula, no podcast True Crime, do SBT News. Durante a entrevista, Tardelli relembra como foi o júri popular na época e os desafios que enfrentou ao se deparar com a protagonista do caso: Suzane Von Richtofen.
Manfred e Marísia Von Richthofen foram mortos a pauladas, em 31 de outubro de 2002, enquanto dormiam em sua mansão, em São Paulo. O crime foi planejado pela filha mais velha do casal, Suzane von Richthofen, com o namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian Cravinhos. O objetivo era herdar o patrimônio da família.
"A primeira vez que percebi que ela tinha envolvimento com o crime foi no próprio enterro dos pais. Ela estava chorando, mas o cabelo estava muito bem feito (...) Eu falei assim: ela está 'editando', não sei exatamente o que era, porque eu não sou vidente, mas ela não é tão inocente assim" disse Tardelli.
O ex-promotor comparou também as motivações dos envolvidos no crime, relembrando os argumentos dos irmãos Cravinhos. Para o criminalista, o namorado de Suzane na época, Daniel Cravinhos, é extremamente inteligente e foi manipulado por ela - um arrependimento que carrega mesmo tendo reconstruído a vida após cumprir pena.
"Transportou Daniel para um conto de fadas (...) Ele apaixonado, perdidamente apaixonado. Sabendo que a sua princesa, mulher da sua vida, vivia num regime de exploração e abuso (...) Tomado pelo amor e pelo ódio, ele faz o que faz" analisa Tardelli.
Ao longo do podcast, Tardelli traçou a persona de Suzane, destacando como se deram as relações dela dentro dos presídios pelos quais passou e como, ao longo da vida, ela usa essas conexões a seu favor para atingir o objetivo daquilo que quer.
"Ela tem a capacidade de localizar o seu ponto fraco, de falar o que você precisa escutar, na hora em que você está mais fragilizado (...) Ela é uma predadora da mais eficiente" conclui o criminalista.
O programa foi gravado no dia 16 de janeiro, logo depois de Suzane se envolver em mais uma polêmica com a disputa pela herança do tio, Miguel Abdalla Neto, que morreu no início do mês. Como o tio não tinha filhos, Suzane e o irmão, Andreas Richtofen, são os parentes diretos e podem herdar R$ 5 milhões.









