MPSP abre investigação sobre falhas nas linhas 11, 12 e 13
Inquérito civil apura problemas ocorridos durante a operação da CPTM e após a transferência das linhas para a concessionária Trivia Trens

Trem da linha 12-Safira em incêndio nesta quinta-feira(23) | Reprodução/redes sociais
A Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, ligada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), abriu nesta terça-feira (28) um inquérito civil para investigar falhas registradas nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade do sistema ferroviário paulista.
Nesta quinta-feira (23), uma ocorrência na Linha 12-Safira, com relatos de explosão e incêndio, provocou a paralisação total do serviço e causou transtornos aos passageiros.
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Segundo o MPSP, a apuração abrangerá o período de operação assistida pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a fase posterior à assunção definitiva dos serviços pela concessionária Trivia Trens.
A investigação também analisará a atuação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e da Secretaria de Transportes Metropolitanos na fiscalização e no acompanhamento da concessão.
Na portaria de instauração, a promotora de Justiça Patrícia Leitão solicitou informações a diferentes órgãos e empresas.
A Artesp deverá apresentar:
- registros de todas as ocorrências nas três linhas desde o início da operação assistida;
- procedimentos de fiscalização realizados;
- eventuais sanções aplicadas;
- o ato que determinou o retorno temporário da operação à CPTM;
- histórico de desempenho das linhas desde 2021.
A CPTM deverá prestar esclarecimentos sobre as falhas registradas, apresentar relatórios técnicos e detalhar as medidas emergenciais adotadas após o apagão de 23 de julho. A companhia também deverá informar o plano de ação para o período de retomada da operação.
Já a Trivia Trens terá de entregar um relatório sobre todas as falhas operacionais desde o início da concessão, além de informações sobre o princípio de incêndio registrado em 23 de julho.
Inquérito cita sequência de falhas
Segundo o MPSP, representações encaminhadas à Promotoria relatam uma sequência de problemas após o início da operação da Trivia Trens. Entre as ocorrências mencionadas estão:
- paralisações;
- superlotação;
- falhas em catracas;
- interrupções no fornecimento de energia;
- princípio de incêndio;
- passageiros caminhando sobre os trilhos;
- acionamento do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE).
A portaria também registra que, durante a operação assistida, houve aumento de 275% nas ocorrências da Linha 11-Coral em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O documento ressalta ainda que as três linhas já eram alvo de procedimentos relacionados a problemas operacionais quando estavam sob administração da CPTM.
Promotoria avalia possível falha estrutural
Ao justificar a abertura do inquérito, a promotora afirmou que é necessário verificar se os problemas decorrem de falhas específicas da transição para a concessão privada ou de dificuldades estruturais e sistêmicas que já afetavam o serviço.
A investigação deverá avaliar a qualidade, a continuidade e a segurança do transporte oferecido aos passageiros, tanto no período de gestão estatal quanto após a transferência para a Trivia Trens.
A abertura do inquérito não representa conclusão sobre eventual responsabilidade dos órgãos ou da concessionária. Os envolvidos ainda deverão apresentar documentos e explicações, que serão analisados pelo Ministério Público ao longo da apuração.














