Brasil

MPF apura ameaças contra povos indígenas nas eleições em MS

Procuradoria deu 48 horas a Tacuru após áudio sobre envenenar água e descartou atentado em Naviraí; Apib cobra proteção e demarcações de Lula

Avatar de Antonio Souza
Antonio Souza
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) instaurou frentes de investigação para apurar uma série de denúncias de ataques, intimidações e hostilidades contra comunidades indígenas no sul do estado.

🤳Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui

As medidas foram adotadas após alertas da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) sobre episódios de violência registrados após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

No município de Tacuru, as diligências conduzidas pelo 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados miram atos de intimidação, com destaque para a circulação de áudios que mencionam planos de envenenar a água consumida pelas aldeias locais. O MPF expediu um ofício urgente fixando prazo de 48 horas para que a prefeitura informe sobre a autenticidade e a autoria das gravações, além de detalhar as providências tomadas para resguardar a integridade física dos moradores e manter os serviços essenciais.

O órgão recomendou formalmente ao município que, caso sejam confirmados indícios de envolvimento de servidores públicos nas ameaças, abra de imediato um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com o afastamento cautelar dos investigados durante as apurações.

Desinformação esclarecida em Naviraí

Em outra frente de trabalho, no município de Naviraí, a Procuradoria esclareceu que boatos sobre assassinatos políticos de integrantes de aldeias decorreram do uso distorcido de um caso sem correlação étnica.

Sob a condução do procurador Marco Antonio Delfino de Almeida, do 1º Ofício da PRM Dourados, os investigadores consultaram líderes das comunidades Kurupi e Mboreviry, que negaram ter sofrido qualquer tipo de ataque.

Informações prestadas pela 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí e pela administração municipal demonstraram que a ocorrência policial registrada no perímetro urbano tratava de uma tentativa de duplo homicídio motivada por desavenças familiares e interpessoais.

O MPF constatou que fotografias desse episódio circularam nas redes digitais de forma adulterada, com legendas falsas fabricadas para simular um conflito eleitoral inexistente na localidade.

Apib envia carta a Lula e cobra proteção

A escalada de tensão no campo levou a Apib e suas sete entidades regionais a entregarem, nesta quinta-feira (29), uma carta ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. A entidade apontou mais de 30 denúncias de violência durante o período eleitoral de 2026, destacando agressões e ameaças de morte direcionadas a lideranças do povo Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul.

No documento, o movimento indígena pede uma audiência para apresentar o projeto político "Nosso Território, Nossa Vida" e reivindica duas ações imediatas: medidas urgentes de segurança nas áreas conflagradas e a assinatura, ainda em 2026, dos decretos de demarcação de 73 Terras Indígenas já declaradas pelo Ministério da Justiça.

A organização propõe a conclusão dessas homologações como legado da atual gestão e tributo à trajetória do cacique Raoni Metuktire, reiterando a meta de proteger todos os territórios tradicionais até 2030 como escudo contra a crise climática e a mineração.

Governo de MS investiga morte em aldeia

Diante das ocorrências na fronteira, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) divulgou nota afirmando que as forças policiais trabalham para garantir a ordem pública e proteger as populações originárias.

A pasta informou que a Polícia Civil investiga a dinâmica, a autoria e a motivação do homicídio registrado na madrugada desta sexta-feira (30) na Aldeia Porto Lindo, situada no município de Japorã.

Sobre o caso de Tacuru, a secretaria estadual esclareceu que o suspeito de gravar o áudio sobre envenenamento de água é ligado à estrutura da prefeitura local, e não ao quadro de servidores estaduais, ressaltando que o conteúdo é grave e está sob apuração rigorosa.

Últimas notícias