Brasil

Motorista de Porsche admite: "ingeri bebida alcoólica”

Júri de Fernando Sastre, que é réu pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo Viana, começou na quarta-feira (28); ele chorou e pediu perdão às vítimas

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Emanuelle Menezes, Julia Vilela
Fernando Sastre está preso preventivamente desde maio de 2024 | Reprodução

Fernando Sastre está preso preventivamente desde maio de 2024 | Reprodução

Fernando Sastre de Andrade Filho admitiu nesta quinta-feira (29), durante interrogatório no júri popular, que consumiu bebida alcoólica no dia do acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. O julgamento ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

“Quero aproveitar para fazer uma confissão. Confesso que no dia dos fatos ingeri bebida alcoólica”, afirmou.
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Questionado pelo Ministério Público sobre por que não havia admitido o consumo antes, Sastre respondeu que poderia ter inventado diversas desculpas, mas que agora estava falando a verdade. Ele afirmou que, ao sair da casa de pôquer em que estava com amigos e a namorada, acreditava não estar embriagado e ter condições de dirigir.

Sastre dirigia o Porsche que bateu na traseira do carro de Ornaldo, na zona leste da capital paulista, em março de 2024. Ele responde por homicídio qualificado, com dolo eventual – quando se assume o risco de matar –, e lesão corporal gravíssima.

Durante o interrogatório, o réu chorou, pediu perdão às vítimas e às famílias e negou que tivesse intenção de provocar a colisão. “Nunca fui indiferente em relação aos fatos. Sofri muito e ainda sofro todos os dias. Nunca tive a intenção de causar um acidente”, disse.

Sastre também deu sua versão sobre a saída do local da batida. Segundo ele, Ornaldo e Marcus Vinícius Machado Rocha, amigo que estava no banco do passageiro do Porsche, já haviam sido resgatados quando sua mãe o retirou dali.

“Minha mãe me tirou do local depois que o senhor Ornaldo e o Marcus já tinham sido resgatados. Nós fomos embora porque um policial já tinha autorizado. não estávamos saindo de fininho”, declarou.

A mãe de Fernando chegou ao local do acidente afirmando que levaria o filho ao hospital, por causa de um ferimento leve na região da boca. Quando os policiais chegaram à unidade, para realizar o teste do bafômetro e ouvir a versão dele dos fatos, foram informados por funcionários que ele não havia dado entrada em nenhum dos hospitais da rede.

Amigo confirmou consumo de álcool

O julgamento começou na quarta-feira (28). Entre as testemunhas ouvidas estava Marcus Vinícius, amigo de Sastre que ocupava o banco do passageiro do Porsche no momento da batida.

Marcus confirmou que o réu bebeu antes de dirigir, mas não soube precisar a quantidade. Segundo ele, Fernando estava exaltado e falava em tom acima do habitual. A testemunha afirmou que amigos e familiares haviam pedido para que Sastre não assumisse o volante.

O passageiro relatou que Fernando retirou o carro da vaga devagar, mas acelerou bruscamente na sequência. Marcus disse não ter lembranças do que aconteceu depois. Ferido na colisão, ele ficou dez dias internado e passou por cirurgias para retirada do baço e colocação de drenos nos pulmões.

Câmera corporal registrou fala de policiais

Nesta quinta-feira, foram exibidas imagens da câmera corporal da policial militar Dayse Cardoso Romão. Na gravação, os policiais afirmam que o motorista do Porsche estava “etilizado” e confirmam que não havia bafômetro disponível na viatura para realizar o teste.

Em depoimento, Dayse disse que liberou Sastre a pedido da mãe dele, sob a alegação de que o filho estava com um sangramento no nariz e seria levado ao hospital, o que não aconteceu. A policial afirmou que se sentiu enganada pelos dois.

Sastre se apresentou à polícia no dia seguinte ao acidente e está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024.

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