Em meio à crise, aval a embaixador dos EUA deve demorar
Daniel Perez aguarda o “agrément” do governo brasileiro, mas ajuda da Casa Branca à fuga de Flávio tende a prolongar banho-maria do Itamaraty
Murilo Fagundes, Victor Schneider
Trump junto a Perez | Reprodução/X
O apoio da Casa Branca nos bastidores à operação de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL)tende a prorrogar o aceite oficial (agrément, na linguagem diplomática) que o Itamaraty precisa dar ao indicado dos Estados Unidos para embaixador do Brasil, Daniel Perez. O nome foi aprovado pelo Senado americano em agosto, mesmo mês em que os EUA cancelaram o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti justamente pela demora na aprovação prévia a Perez.
Mas mesmo com a intensificação da crise diplomática, o SBT News apurou com interlocutores do governo brasileiro que não há temor quanto aos efeitos de uma contestação americana ao resultado das eleições.
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Os elementos que asseguram essa impressão são a larga vantagem obtida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – de 4,4 milhões de votos – e o amplo aval de observadores estrangeiros à lisura do processo, o que torna pouco relevante, na visão de integrantes do governo, a necessidade de “carimbo” dos EUA em atestar que a eleição transcorreu sem fraudes.
O entendimento é que nem mesmo aliados de Flávio no cenário internacional conseguiram alinhar um discurso que fundamente reações à vitória de Lula. Como mostrou a correspondente do SBT nos EUA, Patrícia Vasconcellos, a Casa Branca demonstrou incômodo com a versão inicial da carta em que Flávio se declarava o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Por mais que o governo americano tenha aceitado abrir as portas do país e conceder visto a Flávio e à família, isso não significa apoiar um governo paralelo ao de Lula, como fez com a Venezuela.
A vizinha Argentina, sob Javier Milei, também não contestou formalmente o resultado das eleições, mesmo tendo ajudado Flávio na rota de saída do Brasil.
O Itamaraty trata o cenário atual com pragmatismo, como fez em outros momentos de tensão com a Casa Branca, a exemplo do tarifaço sobre exportações brasileiras. A primeira oportunidade para sentir a temperatura da relação será já nesta sexta, quando o chanceler Mauro Vieira viaja a Atlanta, nos EUA, para reunião do G20 presidida pelo secretário de Estado Marco Rubio.
Daniel Perez
Aos 39 anos, Perez é deputado estadual pela Flórida desde 2017 e preside a Câmara dos Representantes do estado. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e cresceu em Miami-Dade. É formado em Ciência Política e Criminologia pela Florida State University e em Direito pela Loyola University New Orleans.
Republicano e aliado de Trump, Perez é expoente do movimento Make America Great Again (MAGA). Ele adota discurso duro contra governos de esquerda na América Latina e já demonstrou ser favorável à mudança de regime em Cuba.
Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025, quando a embaixadora Elizabeth Bagley, indicada pelo democrata Joe Biden, deixou o cargo.
Em meio à crise, aval a embaixador dos EUA deve demorarDaniel Perez aguarda o “agrément” do governo brasileiro, mas ajuda da Casa Branca à fuga de Flávio tende a prolongar banho-maria do ItamaratyPolítica2026-10-29T19:14:22.961ZO apoio da Casa Branca nos bastidores à operação de fuga do senador tende a prorrogar o aceite oficial (agrément, na linguagem diplomática) que o Itamaraty precisa dar ao indicado dos Estados Unidos para embaixador do Brasil, Daniel Perez. O nome foi aprovado pelo Senado americano em agosto, mesmo mês em que os EUA cancelaram o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti justamente pela demora na aprovação prévia a Perez. Mas mesmo com a intensificação da crise diplomática, o SBT News apurou com interlocutores do governo brasileiro que não há temor quanto aos efeitos de uma contestação americana ao resultado das eleições. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Os elementos que asseguram essa impressão são a larga vantagem obtida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – de 4,4 milhões de votos – e o amplo aval de observadores estrangeiros à lisura do processo, o que torna pouco relevante, na visão de integrantes do governo, a necessidade de “carimbo” dos EUA em atestar que a eleição transcorreu sem fraudes. O entendimento é que nem mesmo aliados de Flávio no cenário internacional conseguiram alinhar um discurso que fundamente reações à vitória de Lula. Como mostrou a correspondente do SBT nos EUA, Patrícia Vasconcellos, a Casa Branca demonstrou incômodo com a versão inicial da carta em que Flávio se declarava o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Por mais que o governo americano tenha aceitado abrir as portas do país e conceder visto a Flávio e à família, isso não significa apoiar um governo paralelo ao de Lula, como fez com a Venezuela. A vizinha Argentina, sob Javier Milei, também não contestou formalmente o resultado das eleições, mesmo tendo ajudado Flávio na rota de saída do Brasil. O Itamaraty trata o cenário atual com pragmatismo, como fez em outros momentos de tensão com a Casa Branca, a exemplo do tarifaço sobre exportações brasileiras. A primeira oportunidade para sentir a temperatura da relação será já nesta sexta, quando o chanceler Mauro Vieira viaja a Atlanta, nos EUA, para reunião do G20 presidida pelo secretário de Estado Marco Rubio. Daniel Perez Aos 39 anos, Perez é deputado estadual pela Flórida desde 2017 e preside a Câmara dos Representantes do estado. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e cresceu em Miami-Dade. É formado em Ciência Política e Criminologia pela Florida State University e em Direito pela Loyola University New Orleans. Republicano e aliado de Trump, Perez é expoente do movimento Make America Great Again (MAGA). Ele adota discurso duro contra governos de esquerda na América Latina e já demonstrou ser favorável à mudança de regime em Cuba. Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025, quando a embaixadora Elizabeth Bagley, indicada pelo democrata Joe Biden, deixou o cargo.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/em-meio-a-crise-aval-a-embaixador-dos-eua-deve-demorar
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