Morre Angelita Habr-Gama, pioneira da cirurgia no Brasil
Médica era referência mundial em câncer de reto e é velada neste domingo (31), na FMUSP


Angelita Habr-Gama morreu aos 92 anos | Biblioteca/FMUSP
A médica Angelita Habr-Gama, referência mundial em coloproctologia e cirurgia oncológica, morreu no sábado (30), em São Paulo, aos 92 anos. Ela estava internada desde 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, onde integrava o corpo clínico desde 1980.
O velório será realizado neste domingo (31), até as 19h, no teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Natural da Ilha do Marajó, no Pará, Angelita construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo em uma área historicamente ocupada por homens.
Professora emérita da FMUSP, ela foi a primeira mulher a se tornar professora titular de uma especialidade cirúrgica na instituição. Também foi a primeira brasileira aceita como membro honorário da American Surgical Association e, em 2006, tornou-se a primeira mulher e a primeira médica latino-americana a integrar o grupo de membros honorários da European Surgical Association.
Ao longo da carreira, Angelita publicou centenas de trabalhos científicos e recebeu mais de 50 prêmios nacionais e internacionais. Em 2022, foi reconhecida pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo.
A médica teve papel central no avanço do tratamento do câncer de reto, com a difusão do protocolo “Watch and Wait”, abordagem que evita cirurgias em casos selecionados após boa resposta ao tratamento inicial. Também fundou a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci) e foi indicada pela Organização Mundial de Gastroenterologia para coordenar no Brasil o Programa de Prevenção do Câncer Colorretal.
Em nota, a FMUSP afirmou que Angelita foi “pioneira da coloproctologia no Brasil e referência mundial no tratamento do câncer de reto”. A instituição destacou que a professora “construiu uma trajetória marcada pela excelência acadêmica, pela inovação científica e pela dedicação à formação de gerações de médicos.”
O Hospital Alemão Oswaldo Cruz declarou estar “profundamente consternado com esta perda irreparável para a medicina brasileira”. A instituição ressaltou o legado de Angelita na assistência, no ensino, na pesquisa e na formação de especialistas.















