Ministério Público aponta omissão de socorro e propõe indenização a jovem deixado para trás em trilha no Pico Paraná
Promotoria do Paraná vê indícios de dolo no abandono durante a trilha e indica indenização e prestação de serviços comunitários à amiga de Roberto


Vicklin Moraes
O Ministério Público do Paraná entendeu que há indícios do crime de omissão de socorro no caso do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou cinco dias desaparecido após se perder na trilha de retorno do Pico Paraná, nos primeiros dias do ano.
Roberto, que é bombeiro civil, passou o Réveillon na trilha acompanhado da amiga Thayane Smith. No caminho de volta ao acampamento-base, ele ficou para trás e não conseguiu retornar ao ponto de encontro, segundo o boletim oficial.
Após caminhar mais de 20 quilômetros em mata fechada, sem botas e sem óculos, Roberto chegou na manhã de segunda-feira (5) a uma fazenda no município de Antonina, seguindo o curso de um rio. Ele apresentava diversas escoriações pelo corpo, sinais de desgaste físico extremo e já estava sem parte dos equipamentos.
Segundo o MP-PR, o crime de omissão de socorro teria sido cometido por Thayane Smith, que acompanhava Roberto na trilha e, segundo a manifestação do órgão, o deixou para trás mesmo após perceber que ele se encontrava em situação de risco.
No parecer, a Promotoria sustenta que “a conduta da investigada reveste-se de dolo, uma vez que tinha plena consciência da debilidade física da vítima, que já havia vomitado e caminhava com dificuldade, das condições perigosas do local, com trajeto difícil, chuva, frio e neblina, e, ainda assim, optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte”.
Como medidas alternativas, o MP-PR propôs o pagamento de indenização equivalente a três salários-mínimos, no valor de R$ 4.863, ao jovem, além de uma prestação pecuniária de R$ 8.105 destinada ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsável pelas buscas durante cinco dias. Também foi sugerida a prestação de serviços comunitários por três meses, cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros local. Segundo a Promotoria, as medidas se justificam pelo amplo esforço empregado na operação de resgate, que mobilizou forças oficiais, agentes civis e voluntários.
O que Roberto disse sobre a amiga
Roberto afirmou que perdoa a amiga e acredita que ela seguiu a trilha sem perceber que ele havia ficado para trás. Ele também declarou que não pretende mais se aventurar em trilhas sem acompanhamento profissional e estrutura adequada.
Todos os alimentos, materiais de limpeza e kits de higiene arrecadados durante a mobilização do resgate serão doados pela família a instituições de caridade. “O bem sendo devolvido com o bem”, disse Roberto em entrevista ao SBT News.









