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Padre Júlio foi aplaudido de pé quando um dos representantes exaltou que ele deveria receber o Prêmio Nobel da Paz e da Solidariedade por seu trabalho na Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese Metropolitana.
Em sua fala, Padre Júlio, de 75 anos, disse: "Esses dias têm sido muito difíceis porque atingem uma pessoa e todos nos sentimos atingidos. É a resposta do povo, dos irmãos e irmãs comprometidos com uma pastoral humanizadora, libertadora, com uma sociedade justa, libertária e fraterna" (veja a íntegra da missa no vídeo abaixo).
Ele destacou que a tentativa de instalação dessa CPI proposta pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil) não foi adiante depois que vários vereadores declinaram o apoio diante da repercussão do caso. "Aconteceu uma pressão tão forte como poucas vezes a Câmara Municipal foi alvo de uma pressão tão forte que vários vereadores já retiraram o apoio a essa CPI inviabilizando-a."
O religioso disse que ficou muito triste quando soube que um vereador afirmou: "Esse Lancellotti virá aqui nem que seja algemado e amarrado, vamos arrastá-lo para a Câmara".
"É uma técnica fascista: quando não tem argumentos para discutir você destrói o interlocutor."
"Eles não vão desistir"
Padre Júlio afirmou que apesar de a CPI perder apoio, acha que seu trabalho continuará sendo alvo. "Eles não vão desistir. Mas nós também não vamos desistir, nós vamos resistir", declarou.
"Nós somos a igreja dos gloriosos mártires, dos apóstolos, somos seguidores de Jesus de Nazaré. Somos a igreja de São Paulo e a igreja de Dom Paulo Evaristo Arns, a igreja que luta e continua lutando."
Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, afirmou: "Quando mexerem com o senhor, vão mexer com todos nós. Nós estamos com o senhor!".
O Bispo Auxiliar de São Paulo, Dom Cícero França, que representou o cardeal arcebispo Dom Odilo Scherer, lembrou que "a espiritualidade do serviço é a espiritualidade da humildade. Ela nos leva ao humus, ou seja, terra. O indivíduo humilde é aquele que tem os pés fincados na terra. O orgulhoso, o soberbo, o que se deixa dominado na terra, não serve, ele quer ser servido".
Entre as entidades representadas estavam o Conselho Missionário Nacional (Comina), o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Cesep), a Igreja Metodista de São Paulo, a Frente Inter-religiosa Dom Paulo Evaristo Arns, além de representantes da comunidade Palestina.
Entenda o caso
A chamada CPI das ONGs pretende investigar a atuação de instituições na região central da capital paulista, em especial na Cracolândia. Segundo o requerimento de criação, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União), as ONGs "fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento dos dependentes químicos que frequentam a região da Cracolândia".
O documento não cita o padre Júlio em sua justificativa nem o nome das organizações a serem investigadas. Porém, em entrevista ao SBT News na quarta-feira (3.jan), Rubinho Nunes tentou associar o religioso ao que chamou de "máfia da miséria".
Questionado sobre o padre não pertencer a nenhuma ONG, o vereador rebateu: "O padre não consta no quadro diretivo de nenhuma, mas ele atua como 'frente' dessas ONGs. Na verdade, é aquela velha história: ele utiliza de 'testas' para se ocultar dentro delas, mas ele responde enquanto figura individual, pessoa física, e vai ser chamado para prestar esclarecimentos".
Várias personalidades criticaram, na internet, o desejo de Rubinho e outros vereadores de investigarem o padre por meio da CPI. O presidente Lula saiu em defesa de Padre Júlio e afirmou que "graças a Deus a gente tem figuras como o padre, na capital de São Paulo, que há muitos e muitos anos dedica a sua vida para tentar dar um pouco de dignidade, respeito e cidadania às pessoas em situação de rua". "Que dedica sua vida a seguir o exemplo de Jesus. Seu trabalho e da Diocese de São Paulo são essenciais para dar algum amparo a quem mais precisa", complementou Lula.
Por enquanto, o vereador do União Brasil deu apenas o primeiro passo para a instauração de uma CPI: protocolou o pedido com a assinatura de mais de um terço dos parlamentares da Câmara Municipal. Ele precisava de pelo menos 18 assinaturas e conseguiu 21. Agora, segundo o regimento interno da Câmara de Vereadores, ele precisa de aprovação em plenário pela maioria absoluta (mais de 50%) dos parlamentares para instaurar a Comissão: 28 das 55 cadeiras.
Atualmente, três CPIs estão em atividade na Câmara. Outras 45 aguardam aprovação para que sejam instauradas, mas nenhuma delas é para fiscalizar o que o poder público tem feito pela população em situação de rua na cidade de São Paulo.
Em ano de disputa pela prefeitura municipal, a situação dos moradores de ruas da capital paulista certamente será tema de debate entre os candidatos. Segundo números do Ministério dos Direitos Humanos, são 55 mil pessoas morando nas ruas. O número é maior do que a população de 89% dos municípios brasileiros.
Padre Júlio Lancellotti recebe apoio de lideranças religiosas: "Mexeu com o senhor, mexeu com todos"Missa em São Paulo teve apoio contra instalação de CPI que quer investigar atuação de ONGs na assistência à população de ruaBrasil2024-01-07T17:40:49.217ZLideranças de entidades religiosas participarem neste domingo (7) de uma missa em homenagem ao , no Centro de São Paulo, e dar apoio ao religioso que foi alvo de uma tentativa de da Câmara Municipal de São Paulo que quer investigar atuação de ONGs na assistência à população de rua da capital. Padre Júlio foi aplaudido de pé quando um dos representantes exaltou que ele deveria receber o Prêmio Nobel da Paz e da Solidariedade por seu trabalho na Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese Metropolitana. Em sua fala, Padre Júlio, de 75 anos, disse: "Esses dias têm sido muito difíceis porque atingem uma pessoa e todos nos sentimos atingidos. É a resposta do povo, dos irmãos e irmãs comprometidos com uma pastoral humanizadora, libertadora, com uma sociedade justa, libertária e fraterna" (veja a íntegra da missa no vídeo abaixo). Ele destacou que a tentativa de instalação dessa CPI proposta pelo não foi adiante depois que vários vereadores declinaram o apoio diante da repercussão do caso. "Aconteceu uma pressão tão forte como poucas vezes a Câmara Municipal foi alvo de uma pressão tão forte que vários vereadores já retiraram o apoio a essa CPI inviabilizando-a." O religioso disse que ficou muito triste quando soube que um vereador afirmou: "Esse Lancellotti virá aqui nem que seja algemado e amarrado, vamos arrastá-lo para a Câmara". "É uma técnica fascista: quando não tem argumentos para discutir você destrói o interlocutor." "Eles não vão desistir" Padre Júlio afirmou que apesar de a CPI perder apoio, acha que seu trabalho continuará sendo alvo. "Eles não vão desistir. Mas nós também não vamos desistir, nós vamos resistir", declarou. "Nós somos a igreja dos gloriosos mártires, dos apóstolos, somos seguidores de Jesus de Nazaré. Somos a igreja de São Paulo e a igreja de Dom Paulo Evaristo Arns, a igreja que luta e continua lutando." Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, afirmou: "Quando mexerem com o senhor, vão mexer com todos nós. Nós estamos com o senhor!". O Bispo Auxiliar de São Paulo, Dom Cícero França, que representou o cardeal arcebispo Dom Odilo Scherer, lembrou que "a espiritualidade do serviço é a espiritualidade da humildade. Ela nos leva ao humus, ou seja, terra. O indivíduo humilde é aquele que tem os pés fincados na terra. O orgulhoso, o soberbo, o que se deixa dominado na terra, não serve, ele quer ser servido". Entre as entidades representadas estavam o Conselho Missionário Nacional (Comina), o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Cesep), a Igreja Metodista de São Paulo, a Frente Inter-religiosa Dom Paulo Evaristo Arns, além de representantes da comunidade Palestina. Entenda o caso A chamada CPI das ONGs pretende investigar a atuação de instituições na região central da capital paulista, em especial na Cracolândia. Segundo o requerimento de criação, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União), as ONGs "fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento dos dependentes químicos que frequentam a região da Cracolândia". O documento não cita o padre Júlio em sua justificativa nem o nome das organizações a serem investigadas. Porém, em entrevista ao SBT News na quarta-feira (3.jan), Rubinho Nunes tentou associar o religioso ao que chamou de "máfia da miséria". Questionado sobre o padre não pertencer a nenhuma ONG, o vereador rebateu: "O padre não consta no quadro diretivo de nenhuma, mas ele atua como 'frente' dessas ONGs. Na verdade, é aquela velha história: ele utiliza de 'testas' para se ocultar dentro delas, mas ele responde enquanto figura individual, pessoa física, e vai ser chamado para prestar esclarecimentos". Várias personalidades criticaram, na internet, o desejo de Rubinho e outros vereadores de investigarem o padre por meio da CPI. O presidente Lula saiu em defesa de Padre Júlio e afirmou que "graças a Deus a gente tem figuras como o padre, na capital de São Paulo, que há muitos e muitos anos dedica a sua vida para tentar dar um pouco de dignidade, respeito e cidadania às pessoas em situação de rua". "Que dedica sua vida a seguir o exemplo de Jesus. Seu trabalho e da Diocese de São Paulo são essenciais para dar algum amparo a quem mais precisa", complementou Lula. Por enquanto, o vereador do União Brasil deu apenas o primeiro passo para a instauração de uma CPI: protocolou o pedido com a assinatura de mais de um terço dos parlamentares da Câmara Municipal. Ele precisava de pelo menos 18 assinaturas e conseguiu 21. Agora, segundo o regimento interno da Câmara de Vereadores, ele precisa de aprovação em plenário pela maioria absoluta (mais de 50%) dos parlamentares para instaurar a Comissão: 28 das 55 cadeiras. Atualmente, três CPIs estão em atividade na Câmara. Outras 45 aguardam aprovação para que sejam instauradas, mas nenhuma delas é para fiscalizar o que o poder público tem feito pela população em situação de rua na cidade de São Paulo. Em ano de disputa pela prefeitura municipal, a situação dos moradores de ruas da capital paulista certamente será tema de debate entre os candidatos. Segundo números do Ministério dos Direitos Humanos, são 55 mil pessoas morando nas ruas. O número é maior do que a população de 89% dos municípios brasileiros. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/liderancas-religiosas-se-reunem-em-apoio-a-padre-julio-mexeu-com-o-senhor-mexeu-com-todos