Fugir de blitz pode virar tragédia e render punições severas
Casos recentes em São Paulo reacendem debate sobre riscos consequências de desobedecer ordens de parada em operações policiais
Juliana Tourinho
Fugir de uma blitz ou de uma abordagem policial é uma atitude que pode custar caro — e até vidas. No último fim de semana, em São Paulo, o policial militar Lucas Lopes Bernardo, de 27 anos, morreu depois de ser atropelado por motociclistas que tentavam fugir de uma fiscalização.
Em Jandira, na Grande São Paulo, outro motociclista desobedeceu uma ordem de parada da Guarda Civil, fez manobras perigosas, debochou dos agentes e acabou preso.
Apesar da gravidade das situações, fugir de uma blitz nem sempre é crime, do ponto de vista legal. A presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB, Flávia Vegh Bissoli, explica que a conduta, em regra, é tratada como infração administrativa.
“Fugir de uma blitz, de forma geral, não é crime. É uma infração administrativa grave, com multa e cinco pontos na carteira. Mas, dependendo da situação, isso pode virar crime também. Existem dois projetos de lei tramitando na Câmara para endurecer essa lei”, afirma.
A advogada também esclarece em que situações um policial pode usar arma de fogo durante uma fuga.
“O disparo de arma de fogo só é permitido se houver risco real à vida do policial ou de terceiros. A fuga, por si só, não autoriza o uso da arma”, explica.
Fiscalizações e irregularidades
Nas ruas de São Paulo, blitze são realizadas diariamente em diferentes regiões da cidade. Durante as abordagens, documentos são checados e as condições dos veículos avaliadas.
De acordo com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, em 2025 foram realizadas 2.297 operações desse tipo. Mais de 75 mil motociclistas foram abordados e 12.223 motos apreendidas por irregularidades — números que mostram o tamanho do problema e o risco assumido por quem tenta fugir da fiscalização.









