Fraga admite interferência dos EUA, mas diz que é benéfica
Deputado do PL defende classificação do PCC e CV como terroristas e afirma que a medida fortalece o combate ao crime organizado




O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) afirmou, nesta sexta-feira (29), que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode trazer benefícios para o combate ao crime organizado no Brasil.
Ao defender a medida anunciada pelo governo norte-americano, Fraga argumentou ao Poder Expresso, do SBT News, que as facções criminosas utilizam métodos semelhantes aos de grupos terroristas. Segundo ele, essas organizações promovem ataques coordenados, intimidam a população, exercem domínio territorial e desafiam o Estado.
Na avaliação do parlamentar, a classificação pode ampliar a cooperação internacional e facilitar investigações, bloqueios de bens e rastreamento de recursos financeiros ligados às facções. "Eu acho que vai ajudar, porque o americano tem mais instrumentos, tem mais capacidade técnica com investigação, com tecnologia. Isso só vai ajudar", declarou.
Questionado sobre possíveis impactos à soberania brasileira, Fraga afirmou que não vê risco de intervenção estrangeira no país. Para ele, a cooperação internacional já existe e a nova classificação representa apenas um ajuste nos mecanismos de combate ao crime organizado.
Fraga admite interferência
O deputado reconheceu que a decisão dos Estados Unidos pode ser interpretada como uma interferência em assuntos internos do Brasil, mas afirmou que considera a medida positiva diante da falta de avanços na legislação nacional.
"Eu aceito que seja uma interferência. Agora, é uma interferência benéfica. É uma interferência que a gente vai poder rastrear o dinheiro mais rápido, vai poder fazer bloqueio de bens mais rápido, uma série de coisas que o Congresso não consegue fazer porque o governo sempre está barrando esse tipo de ação", disse.
Fraga também voltou a defender mudanças na legislação brasileira para enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. Segundo ele, propostas nesse sentido já foram apresentadas ao Congresso Nacional, mas não avançaram.
O parlamentar afirmou que a classificação como terrorismo permitiria endurecer punições e restringir benefícios previstos na legislação penal. "Basicamente o endurecimento das penas é a mais séria. O cara tem que ser tratado como terrorista e aí esses benefícios que existem na lei de execuções penais não seriam aplicados para o crime de terrorismo", argumentou.
O deputado afirmou que a melhor forma de evitar questionamentos sobre a atuação dos Estados Unidos seria o próprio Brasil aprovar leis classificando organizações criminosas como terroristas. "Assim, a decisão ou a classificação dos Estados Unidos torna-se inócua para nós", concluiu.












