Foi feminicídio, queremos justiça, diz pai da soldado Gisele
No 3° dia de audiências, familiares da soldado Gisele Alves relataram humilhações; advogado afirma que depoimentos reforçam tese de feminicídio
Larissa Alves
01/07/2026, 20:31 • Atualizado em 01/07/2026, 20:47
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Os familiares da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana voltaram a pedir justiça pela morte da PM e defendem que ela foi vítima de feminicídio.
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Em entrevista concedida aos jornalistas na manhã desta quarta-feira (1º), em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, pouco antes do início do terceiro dia da audiência de instrução do caso, os pais e o irmão de Gisele relembraram o relacionamento da policial com o marido, falaram sobre as humilhações que, segundo eles, ela sofria e cobraram a condenação do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, denunciado por feminicídio e fraude processual.
“A gente quer justiça. Que ele apodreça na cadeia, que é o lugar dele. O que ele fez com minha filha… então a gente quer justiça”, disse José Simonal Teles de Santana, pai da PM.
Segundo relatou o pai e também a mãe de Gisele, Marinalva Vieira Alves de Santana, a filha começou a contar sobre mudanças no relacionamento cerca de um ano antes da morte. Marinalva afirmou que chegou a presenciar situações de humilhação dentro da própria casa.
“Na minha casa. Humilhando ela. Ele ficou nervoso lá, se levantou, bateu a mão no rosto e falou: ‘quem banca tudo é o papai aqui. Água, luz, telefone, apartamento’. Até comida jogava na cara dela.”
O pai contou ainda que Gisele já havia decidido colocar fim ao relacionamento de cerca de dois anos e meio que mantinha com o também PM, e que, na sexta-feira anterior ao crime, ligou chorando pedindo ajuda.
Os pais de Gisele disseram que foi até o apartamento naquela noite. Segundo ele, a soldado decidiu permanecer mais uma noite para conversar com o companheiro e avisou que iria embora no dia seguinte.
“Até hoje ela não voltou. Voltou no caixão”, afirmou a mãe.
A mãe da policial, Marinalva, falou sobre a rotina da neta de sete anos desde a morte de Gisele. A menina mora com a avó durante a semana.
“Ela chora bastante, principalmente à noite. Ela sente muita falta da mãe, porque só dormia com a mãe agarrada.”
Já o irmão, Pedro Gabriel Alves de Santana, afirmou que Gisele vivia sob constante pressão psicológica e que havia decidido se separar.
“Ela era uma pessoa alegre, pronta para decolar na carreira e na vida pessoal. Amava muito a filha dela. Quando ela bateu o pé falando que queria separar, ele pegou e assassinou ela”, afirmou.
Os pais e o irmão de Gisele foram ouvidos nesta quarta-feira (1°), terceiro dia de audiência de instrução. Há, ao todo, 11 nomes na lista oficial de testemunhas previstas para serem ouvidas nesta quarta. Entre elas também estão o ex-companheiro de Gisele — pai da filha da policial e que foi casado com ela antes do policial acusado —, e a própria criança, de 7 anos, que também já prestou depoimento em uma sala especial da Vara Especializada de Crimes Contra Crianças e Adolescentes (VECCA), acompanhada por uma psicóloga, conforme determina a legislação.
Ao todo, cerca de 40 testemunhas devem ser ouvidas nesta fase do processo, que deve terminar na sexta-feira (3), quando está previsto o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes.
Também antes do início da audiência, o advogado da família de Gisele, José Miguel Júnior Silva, falou com a imprensa e afirmou que os depoimentos já colhidos fortalecem a acusação apresentada pelo Ministério Público.
“Todos os depoimentos até agora estão confirmando, justamente, que a Gisele foi vítima de um feminicídio e ocorreu uma fraude processual. A gente não tem dúvida. Todos os depoimentos estão corroborando com a perícia”, afirmou.
Segundo o advogado, os socorristas ouvidos nos primeiros dias relataram ter estranhado a cena encontrada no apartamento e o comportamento do acusado logo após a morte da policial.
Sobre o depoimento da filha de Gisele, José Miguel explicou que a expectativa era que a criança pudesse repassar tudo aquilo que ela presenciou dentro do convívio com o réu e com a vítima.
Ele também voltou a contestar a versão apresentada pelo acusado sobre as marcas encontradas no pescoço da policial. O tenente Geraldo Neto chegou a responsabilizar a filha de Gisele pelas arranhaduras no pescoço encontradas na vítima.
“Nós temos nos autos um laudo que uma criança não faria aquelas marcas, que foram marcas de um adulto e que foram marcas feitas antes da Gisele levar o tiro.”
O advogado afirmou ainda que espera que o oficial seja levado a júri popular ao fim da instrução.
“Eu não tenho dúvidas que tudo o que foi colhido na fase do inquérito policial, tudo o que foi colhido até o presente momento, ele deve ser submetido ao Tribunal do Júri.”
Segundo José Miguel, pela quantidade de testemunhas e pela complexidade do caso, a expectativa é que o prazo legal de 90 após a audiência de instrução para que o julgamento seja marcado não seja cumprido.
O caso
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano, no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo.
Inicialmente, o companheiro afirmou que a esposa havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho. A investigação da Polícia Civil, porém, concluiu que a versão não era compatível com os laudos periciais.
Segundo o inquérito, Gisele teria sido surpreendida por trás, imobilizada antes do disparo e a cena do crime apresentava indícios de manipulação. A Polícia Civil indiciou o oficial por feminicídio e fraude processual, e o Ministério Público sustenta que o crime foi motivado pela decisão da policial de encerrar o relacionamento.
A defesa nega as acusações e mantém a versão de que Gisele tirou a própria vida.
Foi feminicídio, queremos justiça, diz pai da soldado GiseleNo 3° dia de audiências, familiares da soldado Gisele Alves relataram humilhações; advogado afirma que depoimentos reforçam tese de feminicídioBrasil2026-07-01T20:31:23.086ZOs familiares da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana voltaram a pedir justiça pela morte da PM e defendem que ela foi vítima de feminicídio. Em entrevista concedida aos jornalistas na manhã desta quarta-feira (1º), em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, pouco antes do início do terceiro dia da audiência de instrução do caso, os pais e o irmão de Gisele relembraram o relacionamento da policial com o marido, falaram sobre as humilhações que, segundo eles, ela sofria e cobraram a condenação do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, denunciado por feminicídio e fraude processual. “A gente quer justiça. Que ele apodreça na cadeia, que é o lugar dele. O que ele fez com minha filha… então a gente quer justiça”, disse José Simonal Teles de Santana, pai da PM. Segundo relatou o pai e também a mãe de Gisele, Marinalva Vieira Alves de Santana, a filha começou a contar sobre mudanças no relacionamento cerca de um ano antes da morte. Marinalva afirmou que chegou a presenciar situações de humilhação dentro da própria casa. “Na minha casa. Humilhando ela. Ele ficou nervoso lá, se levantou, bateu a mão no rosto e falou: ‘quem banca tudo é o papai aqui. Água, luz, telefone, apartamento’. Até comida jogava na cara dela.” O pai contou ainda que Gisele já havia decidido colocar fim ao relacionamento de cerca de dois anos e meio que mantinha com o também PM, e que, na sexta-feira anterior ao crime, ligou chorando pedindo ajuda. Os pais de Gisele disseram que foi até o apartamento naquela noite. Segundo ele, a soldado decidiu permanecer mais uma noite para conversar com o companheiro e avisou que iria embora no dia seguinte. “Até hoje ela não voltou. Voltou no caixão”, afirmou a mãe. A mãe da policial, Marinalva, falou sobre a rotina da neta de sete anos desde a morte de Gisele. A menina mora com a avó durante a semana. “Ela chora bastante, principalmente à noite. Ela sente muita falta da mãe, porque só dormia com a mãe agarrada.” Já o irmão, Pedro Gabriel Alves de Santana, afirmou que Gisele vivia sob constante pressão psicológica e que havia decidido se separar. “Ela era uma pessoa alegre, pronta para decolar na carreira e na vida pessoal. Amava muito a filha dela. Quando ela bateu o pé falando que queria separar, ele pegou e assassinou ela”, afirmou. Os pais e o irmão de Gisele foram ouvidos nesta quarta-feira (1°), terceiro dia de audiência de instrução. Há, ao todo, 11 nomes na lista oficial de testemunhas previstas para serem ouvidas nesta quarta. Entre elas também estão o ex-companheiro de Gisele — pai da filha da policial e que foi casado com ela antes do policial acusado —, e a própria criança, de 7 anos, que também já prestou depoimento em uma sala especial da Vara Especializada de Crimes Contra Crianças e Adolescentes (VECCA), acompanhada por uma psicóloga, conforme determina a legislação. Ao todo, cerca de 40 testemunhas devem ser ouvidas nesta fase do processo, que deve terminar na sexta-feira (3), quando está previsto o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes. Também antes do início da audiência, o advogado da família de Gisele, José Miguel Júnior Silva, falou com a imprensa e afirmou que os depoimentos já colhidos fortalecem a acusação apresentada pelo Ministério Público. “Todos os depoimentos até agora estão confirmando, justamente, que a Gisele foi vítima de um feminicídio e ocorreu uma fraude processual. A gente não tem dúvida. Todos os depoimentos estão corroborando com a perícia”, afirmou. Segundo o advogado, os socorristas ouvidos nos primeiros dias relataram ter estranhado a cena encontrada no apartamento e o comportamento do acusado logo após a morte da policial. Sobre o depoimento da filha de Gisele, José Miguel explicou que a expectativa era que a criança pudesse repassar tudo aquilo que ela presenciou dentro do convívio com o réu e com a vítima. Ele também voltou a contestar a versão apresentada pelo acusado sobre as marcas encontradas no pescoço da policial. O tenente Geraldo Neto chegou a responsabilizar a filha de Gisele pelas arranhaduras no pescoço encontradas na vítima. “Nós temos nos autos um laudo que uma criança não faria aquelas marcas, que foram marcas de um adulto e que foram marcas feitas antes da Gisele levar o tiro.” O advogado afirmou ainda que espera que o oficial seja levado a júri popular ao fim da instrução. “Eu não tenho dúvidas que tudo o que foi colhido na fase do inquérito policial, tudo o que foi colhido até o presente momento, ele deve ser submetido ao Tribunal do Júri.” Segundo José Miguel, pela quantidade de testemunhas e pela complexidade do caso, a expectativa é que o prazo legal de 90 após a audiência de instrução para que o julgamento seja marcado não seja cumprido. O caso A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano, no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente, o companheiro afirmou que a esposa havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho. A investigação da Polícia Civil, porém, concluiu que a versão não era compatível com os laudos periciais. Segundo o inquérito, Gisele teria sido surpreendida por trás, imobilizada antes do disparo e a cena do crime apresentava indícios de manipulação. A Polícia Civil indiciou o oficial por feminicídio e fraude processual, e o Ministério Público sustenta que o crime foi motivado pela decisão da policial de encerrar o relacionamento. A defesa nega as acusações e mantém a versão de que Gisele tirou a própria vida.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/foi-feminicidio-queremos-justica-diz-pai-da-soldado-gisele