Brasil

Estudo aponta que crianças brasileiras ficaram 1 cm mais altas

Pesquisa relaciona o aumento na altura ao desenvolvimento econômico dos últimos anos. Mas alerta para o crescimento de obesidade na faixa etária

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SBT News
01/04/2024, 19:00 • Atualizado em 01/04/2024, 19:10
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Estudo aponta que crianças brasileiras ficaram 1 cm mais altas

As crianças no Brasil estão ficando mais altas e mais obesas: é o que afirma um novo estudo publicado no The Lancet Regional Health - Americas, realizado por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a University College London.

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A pesquisa se baseou na observação das medidas de mais de cinco milhões de crianças brasileiras e os resultados indicaram que, entre 2001 e 2014, foi registrado um aumento de 1 cm na trajetória de altura infantil. Por outro lado, as prevalências de excesso de peso e obesidade também apresentaram um aumento considerável entre os dados analisados.

A população total do estudo foi de 5.750.214 crianças, de 3 a 10 anos, divididas em dois coorte: considerando os nascidos de 2001 a 2007, e os nascidos de 2008 a 2014.

Diferenças no crescimento

A pesquisa constatou um aumento de 1 cm na altura das crianças nascidas de 2008 a 2014, em ambos os sexos, em comparação com as crianças nascidas de 2001 a 2007.

“Possuir uma estatura mais alta”, afirma a pesquisadora associada e líder da investigação Carolina Vieira à agência Fiocruz, “está associado a desfechos positivos na saúde, como menor probabilidade de doenças cardíacas, derrame, e maior longevidade. O crescimento na altura das crianças brasileiras reflete o desenvolvimento econômico e as melhorias das condições de vida de anos passados”, argumenta. Outros estudos já haviam percebido a tendência de aumento da altura dos brasileiros, entre as décadas de 50 a 80.

Aumento nos índices de sobrepeso

Se por um lado, este é um resultado animador, o aumento nos índices de sobrepeso e obesidade preocupam. A pesquisa mostrou um aumento de 0,06 kg/m2 entre meninos e 0,04 kg/m2 entre meninas na trajetória média de IMC.

Na comparação entre as duas coortes, a prevalência de excesso de peso para a faixa etária de 5 a 10 anos aumentou 3,2% entre meninos e 2,7% entre meninas. No caso da obesidade, o aumento da prevalência passou de 11,1% para 13,8% entre os meninos e de 9,1% para 11,2% entre as meninas (um aumento de 2,7% e 2,1%, respectivamente).

O mesmo se deu para a faixa etária de 3 e 4 anos. Houve um aumento do excesso de peso em 0,9% entre os meninos e 0,8% entre meninas. Já para a obesidade houve um aumento de 4% para 4,5% nos meninos e de 3,6% para 3,9% nas meninas, ou seja, um crescimento de 0,5% e 0,3%, respectivamente.

“Esses resultados indicam que o Brasil, assim como todos os países do mundo, está longe de atingir a meta da OMS de ‘deter o aumento’ da prevalência da obesidade até 2030”, explica a pesquisadora.

Processo de pesquisa

A equipe utilizou o banco de dados formado pela vinculação de três sistemas administrativos: o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), o Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc) e o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).

A limpeza do banco de dados estudado foi realizada de acordo com os valores identificados como “biologicamente implausíveis”, definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Também foram excluídas do escopo do estudo crianças com registros incompletos ou inconsistentes.

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