Entenda o que é ‘pejotização’ e o que significa a suspensão de processos do tipo pelo STF
Decisão foi tomada pelo ministro Gilmar Mendes nesta segunda-feira (14)
J
Lara Curcino, Jésus Mosquéra
14/04/2025, 22:24 • Atualizado em 14/04/2025, 22:24
compartilhar
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, nesta segunda-feira (14), pela suspensão de todos os processos envolvendo a “pejotização”, quando empresas contratam pessoas jurídicas para a prestação de serviços. O SBT News conversou com o advogado trabalhista Ronaldo Tolentino para entender o que motivou e o que significa a determinação.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
“A 'pejotização' não é destinada a qualquer tipo de profissional, mas a algumas profissões mais específicas, como médicos, advogados, jornalistas, artistas, entre outros. [...] Outra coisa é que uma cláusula de exclusividade não descaracteriza o contrato por meio de pessoa jurídica. [...] [Apesar de não prever benefícios como 13º e férias para o trabalhador] tem pontos positivos, porque o contratante acaba pagando menos, sobretudo encargos tributários e previdenciários, e o contratado consegue receber uma remuneração maior do que aquela que receberia”, pontuou Tolentino, em entrevista ao programa Poder Expresso.
Reforma trabalhista
“A reforma trabalhista [que entrou em vigor em 2017] veio a reconhecer a possibilidade de terceirização de algumas atividades mesmo sendo a atividade fim da tomadora de serviço. Posteriormente o Supremo também acolheu o mesmo entendimento. E essa legislação da reforma também inclui a "pejotização" dentro dos terceirizados”, afirmou ele.
Fraudes
“As situações de fraude envolvendo PJs acontecem quando há cumprimento de diversas cláusulas que são típicas de um trabalho CLT, como jornada de trabalho de segunda a sexta, com horário definido, férias, 13º salário. Ou seja, apesar de ter o nome de pessoa jurídica, na prática o trabalhador tem todos os direitos e obrigações que são próprios de um celetista. São em casos como esse que o Supremo autoriza o reconhecimento do vínculo de emprego [e determina o pagamento dos benefícios retroativos]”, detalhou o advogado.
TST X STF
“O Tribunal Superior do Trabalho (TST) é composto por 27 ministros, com uma formação muito eclética. Eles têm diversas divergências em relação ao Supremo, que decidiu que a regra é que a contratação via PJ é válida, exceto se for constatada fraude na situação concreta. Acontece que muitos magistrados do TST acabaram transformando a exceção na regra e a regra na exceção, e isso acabou desaguando no STF”, contextualizou o especialista.
A suspensão
A suspensão é válida até que o STF discuta o mérito da questão. Gilmar Mendes justificou a decisão afirmando que a Justiça do Trabalho tem descumprido a orientação do Supremo sobre o tema, de modo que vários questionamentos sobre contratos do tipo têm chegado à Corte.
Para o magistrado, isso sobrecarrega o STF e contribui para um cenário de "insegurança jurídica, transformando-o em instância revisora de decisões trabalhistas".
Neste mês, o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a chamada repercussão geral da matéria, ou seja, a relevância do tema para a sociedade, envolvendo a análise sobre a validade desses contratos e a competência da Justiça trabalhista para julgar casos de suposta fraude.
Isso quer dizer que a decisão de mérito que será tomada pelo STF, em data ainda a ser definida, deverá ser seguida por todos os tribunais do país ao julgarem casos parecidos. A suspensão do ministro Gilmar Mendes vale até que esse julgamento aconteça no plenário.
Entenda o que é ‘pejotização’ e o que significa a suspensão de processos do tipo pelo STFDecisão foi tomada pelo ministro Gilmar Mendes nesta segunda-feira (14)Brasil2025-04-14T22:24:34.267ZO ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, nesta segunda-feira (14), envolvendo a “pejotização”, quando empresas contratam pessoas jurídicas para a prestação de serviços. O SBT News conversou com o advogado trabalhista Ronaldo Tolentino para entender o que motivou e o que significa a determinação.
Pejotização “A 'pejotização' não é destinada a qualquer tipo de profissional, mas a algumas profissões mais específicas, como médicos, advogados, jornalistas, artistas, entre outros. [...] Outra coisa é que uma cláusula de exclusividade não descaracteriza o contrato por meio de pessoa jurídica. [...] [Apesar de não prever benefícios como 13º e férias para o trabalhador] tem pontos positivos, porque o contratante acaba pagando menos, sobretudo encargos tributários e previdenciários, e o contratado consegue receber uma remuneração maior do que aquela que receberia”, pontuou Tolentino, em entrevista ao programa Poder Expresso. Reforma trabalhista “A reforma trabalhista [que entrou em vigor em 2017] veio a reconhecer a possibilidade de terceirização de algumas atividades mesmo sendo a atividade fim da tomadora de serviço. Posteriormente o Supremo também acolheu o mesmo entendimento. E essa legislação da reforma também inclui a "pejotização" dentro dos terceirizados”, afirmou ele. Fraudes “As situações de fraude envolvendo PJs acontecem quando há cumprimento de diversas cláusulas que são típicas de um trabalho CLT, como jornada de trabalho de segunda a sexta, com horário definido, férias, 13º salário. Ou seja, apesar de ter o nome de pessoa jurídica, na prática o trabalhador tem todos os direitos e obrigações que são próprios de um celetista. São em casos como esse que o Supremo autoriza o reconhecimento do vínculo de emprego [e determina o pagamento dos benefícios retroativos]”, detalhou o advogado. TST X STF “O Tribunal Superior do Trabalho (TST) é composto por 27 ministros, com uma formação muito eclética. Eles têm diversas divergências em relação ao Supremo, que decidiu que a regra é que a contratação via PJ é válida, exceto se for constatada fraude na situação concreta. Acontece que muitos magistrados do TST acabaram transformando a exceção na regra e a regra na exceção, e isso acabou desaguando no STF”, contextualizou o especialista. A suspensão A suspensão é válida até que o STF discuta o mérito da questão. Gilmar Mendes justificou a decisão afirmando que a Justiça do Trabalho tem descumprido a orientação do Supremo sobre o tema, de modo que vários questionamentos sobre contratos do tipo têm chegado à Corte. Para o magistrado, isso sobrecarrega o STF e contribui para um cenário de "insegurança jurídica, transformando-o em instância revisora de decisões trabalhistas". Neste mês, o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a chamada repercussão geral da matéria, ou seja, a relevância do tema para a sociedade, envolvendo a análise sobre a validade desses contratos e a competência da Justiça trabalhista para julgar casos de suposta fraude. Isso quer dizer que a decisão de mérito que será tomada pelo STF, em data ainda a ser definida, deverá ser seguida por todos os tribunais do país ao julgarem casos parecidos. A suspensão do ministro Gilmar Mendes vale até que esse julgamento aconteça no plenário. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/entenda-o-que-e-pejotizacao-e-o-que-significa-a-suspensao-de-processos-do-tipo-pelo-stf
Quaest: Lula se beneficia mais que Flávio com tarifaço
42% dizem ter aumentado sua vontade de votar no atual presidente por causa das tarifas impostas pelos EUA; maioria culpa o pré-candidato do PL pela medida
Deputado alvo do MP foi condenado por tráfico internacional
Quando era vereador de Nilópolis, Rafael Nobre chegou a ser sentenciado a 11 anos de prisão, mas conseguiu um habeas corpus do STJ e se manteve no cargo