Brasil

Domicílios alugados chegam a 23% e quase metade possuem pelo menos um carro, diz IBGE

Número de aluguéis residenciais subiu 45,4% de 2016 a 2024, com 5,6 milhões de unidades a mais no Brasil

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Felipe Moraes
22/08/2025, 13:31 • Atualizado em 23/08/2025, 00:45
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Domicílios alugados no Brasil chegaram a 23% do total em 2024 e quase metade deles (48,8%) possuem pelo menos um automóvel, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O número de lares alugados aumentou 45,4% entre 2016 (12,3 milhões) e 2024 (17,8 milhões), com 5,6 milhões de unidades a mais. IBGE apontou que quase metade (2,6 milhões) dessa variação no total ocorreu de 2022 a 2024. Na comparação com 2023, aumento foi de 5,35% (896 mil domicílios). De 2022 para 2023, de 11% (1,7 milhão).

As regiões Centro-Oeste (30,8%), Sudeste (25,4%) e Sul (23%) apresentaram maiores percentuais de domicílios alugados no ano passado.

Dados do IBGE sobre domicílios no Brasil | Divulgação/IBGE
Dados do IBGE sobre domicílios no Brasil | Divulgação/IBGE

A maior parte de domicílios, 61,6% (47,7 milhões), eram próprios e já pagos em 2024, enquanto 6% (4,7 milhões), próprios e ainda em pagamento. De 2016 a 2014, porém, houve "contínua redução" de lares próprios, sobretudo entre os já quitados (66,8% em 2016).

"Essa redução de 5,2 pontos percentuais ao longo dos anos em domicílios próprios, combinada ao aumento de domicílios alugados, indica uma concentração de riqueza nesse período. Se não se criam oportunidades para a população adquirir o seu imóvel, as pessoas precisam partir para o aluguel. Ao passo que temos também na economia um processo muito longo de inflação e salário reduzidos, o que cria mais dificuldades para as pessoas alavancarem seu patrimônio", explicou o analista da pesquisa, William Kratochwill.

Norte (70%) e Nordeste (69,6%) são as regiões brasileiras com maiores índices de lares próprios já pagos em 2024, mesmo com decréscimo desde 2016 (74,2% e 73,1%, respectivamente).

Esses e outros números constam na primeira divulgação anual do módulo Características Gerais dos Domicílios e Moradores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, após reponderação de dados com base no Censo 2022.

Lares com carros e motos

Levantamento do IBGE também mostraram aumento de lares com meios de transporte. Entre 2016 e 2024, domicílios com pelo menos um carro tiveram alta de 47,6% para 48,8%. Motocicleta, de 22,6% para 25,7%. E ambos, de 10,7% para 13,4%.

Nordeste (28,8%) e Norte (29,7%) são as regiões com menores proporções de lares com automóvel e as únicas em que motocicletas superam carros (37,9% e 33,5%, respectivamente). Sudeste registra menor índice de domicílios com moto (19,4%), enquanto Centro-Oeste apresenta maior percentual de ambos os bens (18,7%).

Eletrodomésticos, coleta de lixo, proporção de idosos em alta e de brancos em queda: outros dados da pesquisa

  • Coleta de lixo: chegou a 86,9% dos 77,3 milhões de domicílios; em 2016, era de 82,7%. Em áreas rurais, proporção atingiu 33,1% dos 8,9 milhões de lares nessas localidades e 93,9% dos 68,5 milhões de lares urbanos. Cerca de 4,7 milhões de lares (6,1%) ainda queimavam lixo na própria moradia em 2024: 50,5% em propriedades rurais e 0,4% em zonas urbanas;
  • Envelhecimento: população com menos de 30 anos passou de 49,9% em 2012 para 41,9% em 2024. População de 30 ou mais saiu de 50,1% para 58,1% nesse mesmo período. Entre idosos, pessoas de 65 ou mais representavam 11,2% da população total no ano passado. População de 60 ou mais atingiu 16,1%;
  • Em 2024, mulheres representavam 51,2% da população brasileira; homens, 48,8%. "Em todas as grandes regiões, há mais mulheres do que homens. A razão de sexo indica haver 95,2 homens para cada 100 mulheres no Brasil", detalhou o IBGE;
  • Unidades domésticas unipessoais: domicílios com apenas um morador cresceram 6,4 pontos entre 2012 e 2024, passando de 12,2% a 18,6%. Sudeste e Centro-Oeste tiveram percentuais mais elevados de domicílios com apenas um morador (19,6% e 19,0%, respectivamente); Norte, o menor (15,2%);
  • "Em 2024, o arranjo domiciliar mais frequente foi o nuclear, que correspondia a 65,7% do total de domicílios, mas que apresentou queda em relação a 2012 (68,4%)", contou o IBGE. Esse tipo de família é formado por um casal com ou sem filhos (incluindo adotivos e de criação) ou enteados; e também por domicílios compostos por mãe com filhos ou pai com filhos, as chamadas unidades domésticas monoparentais;
  • 98,3% dos domicílios têm geladeira, com variação entre 93,9% no Norte e 99,4% no Sul;
  • máquina de lavar é bem menos onipresente (70,4%) e com diferenças regionais que chamam atenção: Nordeste (40,5%) e Norte (55,4%) mostraram menores percentuais, enquanto Sul (90%), Sudeste (82,3%) e Centro-Oeste (81,5%), maiores;
  • Percentual da população que se declarava de cor ou raça branca caiu 4,3 pontos de 2012 a 2024: desceu de 46,4% a 42,1%, menor índice da série. Pessoas declaradas pretas aumentaram, nesse mesmo período, de 7,4% para 10,7%. Para cor ou raça parda, variação foi pequena em relação a 2012: de 45,5% a 46,1%;
  • "A participação da população declarada de cor ou raça branca se reduziu em todas as grandes regiões de 2012 para 2024, com destaque para a Região Sul (-7,4 pontos). No Nordeste, houve a principal expansão da participação das pessoas de cor ou raça preta (4,7 pontos)", explicou o instituto.

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