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Custo da primeira CNH cai de R$ 3,2 mil para R$ 1,3 mil

Levantamento do Ministério dos Transportes compara preços de outubro de 2025 e abril de 2026 para habilitação de carro e moto

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Caio Barcellos
CNH: Governo acaba com obrigatoriedade de aulas em simuladores

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O custo médio nacional para tirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B (motos e carros) caiu de R$ 3.169,01 em outubro de 2025 para R$ 1.265,80 em abril de 2026, segundo levantamento do Ministério dos Transportes. A diferença representa uma redução de R$ 1.903,21, equivalente a aproximadamente 60%.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (10), no balanço dos nove meses do programa CNH do Brasil. Lançada em dezembro de 2025, a iniciativa simplificou etapas da formação, passou a oferecer curso teórico gratuito e permitiu a contratação de instrutores autônomos credenciados para as aulas práticas.

O cálculo considera taxas dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), exame médico, avaliação psicológica e aulas práticas em autoescolas.

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O valor funciona como uma referência para o conjunto de serviços pesquisados, pois o gasto de cada candidato pode aumentar caso contrate mais aulas práticas. O curso teórico não acrescenta custo ao cálculo porque é oferecido gratuitamente pelo programa.

Preços partem de R$ 810

O Piauí apresentou o menor custo total do levantamento, de R$ 810,25, seguido pela Bahia, com R$ 860, e pelo Rio Grande do Norte, com R$ 980,90. No Distrito Federal, o valor ficou em R$ 993.

Na outra ponta, Goiás registrou o maior custo, de R$ 1.660,18, seguido por Santa Catarina, com R$ 1.601,98, e Espírito Santo, com R$ 1.595,67.

A maior redução proporcional ocorreu na Bahia, onde o preço passou de R$ 4.085,02 para R$ 860, uma queda de 78,9%. O menor recuo foi registrado no Espírito Santo, de 37,5%, com redução de R$ 2.551,05 para R$ 1.595,67.

No Rio Grande do Sul, que tinha o maior valor antes das mudanças, o custo caiu de R$ 4.951,35 para R$ 1.365,56, uma redução de 72,4%. Em São Paulo, passou de R$ 1.972,90 para R$ 1.015,28, enquanto no Rio de Janeiro recuou de R$ 2.855,82 para R$ 1.449,55.

Em um cálculo mais amplo, que inclui tanto a formação de novos condutores quanto a renovação da habilitação, o Ministério dos Transportes estima que o programa proporcionou uma economia de R$ 9,64 bilhões aos cidadãos.

Desse total, R$ 1,44 bilhão foram economizados com 1,73 milhão de renovações automáticas para bons condutores, seguida por R$ 414,6 milhões com a limitação do valor conjunto dos exames médico e psicológico a R$ 180. Outros R$ 278,7 milhões correspondem a gastos com deslocamentos evitados pela digitalização de etapas do processo.

Em Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe, decisões judiciais mantêm as cobranças dos exames acima do teto nacional -no caso mineiro, o valor é de R$ 464,46, mais que o dobro do limite nacional de R$ 180.

Pedidos triplicam, mas emissões empacam

O balanço mostra ainda que os pedidos para tirar a primeira habilitação cresceram 216% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, de 2,3 milhões para 7,3 milhões.

Embora a procura tenha mais que triplicado, o número de pessoas que concluíram o processo cresceu em ritmo menor, de 17,1%. Foram emitidas 2 milhões de primeiras habilitações entre janeiro e agosto, ante 1,7 milhão no mesmo período de 2025, uma diferença de 292,6 mil novos condutores.

Durante a apresentação dos dados, o ministro George Santoro e o secretário de Trânsito Adrualdo Catão atribuíram a diferença ao fato de que alguns órgãos estaduais demoraram para adaptar sistemas e normas ao novo modelo, o que também limitou o ritmo de emissão das habilitações.

Além disso, argumentaram que as etapas iniciais são gratuitas e podem ser feitas pelo aplicativo, o que facilita a entrada de interessados, enquanto as seguintes envolvem gastos com taxas e exames e dependem da preparação dos candidatos, que podem adiar a continuidade do processo para estudar mais ou fazer outras aulas antes das provas.

A Paraíba registrou o maior crescimento nas emissões, de 77%, seguida por Sergipe, com 69,5%, e Acre, com 55,4%. Na outra ponta, o Rio de Janeiro teve queda de 25,6%, enquanto Minas Gerais, Goiás e Tocantins registraram recuos de 6%, 5,9% e 2,8%, respectivamente.

Segundo Catão, o desempenho do Rio de Janeiro é explicado pela demora na adesão ao programa, concluída apenas em setembro, depois do período considerado no levantamento.

Prazo para obter habilitação cai 30%

O tempo mediano para concluir a primeira habilitação caiu de 210 para 147 dias, uma redução de 63 dias, ou 30%. A mediana indica que metade dos candidatos conseguiu obter o documento em até 147 dias, enquanto a outra metade levou mais tempo.

Segundo o ministério, o resultado é o menor da série histórica iniciada em 2009, empatado com o registrado em 2010. O cálculo considera processos com duração de um a 730 dias e exclui o que a pasta classifica como passivo excepcional da pandemia.

A parcela das habilitações concluídas em mais de 180 dias recuou de 60,3% para 40,6%, enquanto a participação dos processos finalizados entre 31 e 90 dias passou de 6,1% para 26,2%.

Todos os estados e o Distrito Federal registraram redução no tempo mediano, com os maiores recuos no Pará, de 307 para 136 dias, e no Piauí, de 287 para 133 dias. No Rio Grande do Sul, o prazo caiu de 121 para 61 dias.

Autoescolas mantêm maioria dos cursos práticos

As autoescolas concentraram 86,8% dos cursos práticos realizados entre janeiro e agosto de 2026, enquanto os instrutores que atuaram de forma autônoma responderam por 13,2%, com aproximadamente 553 mil cursos.

Segundo o levantamento, 95% dos profissionais que atuam na modalidade autônoma possuem algum vínculo com autoescolas. A participação dessa modalidade foi maior no Norte, com 30,7% dos cursos práticos, e no Nordeste, com 27,4%, enquanto no Sul ficou em 3,3%.

O balanço também mostra aumento no fechamento de autoescolas, com base em dados cadastrais da Receita Federal. Entre 1º de janeiro e 7 de agosto, os encerramentos passaram de 266 em 2025 para 478 em 2026, uma alta de 79,7%, enquanto as novas aberturas caíram de 402 para 166.

Com isso, o saldo entre aberturas e fechamentos passou de 136 estabelecimentos a mais para 312 a menos, com 14.605 autoescolas ainda ativas.

O ministério interpreta o movimento como uma reorganização empresarial e informa que nenhuma das baixas analisadas decorreu de decretação de falência. Segundo a pasta, 99,6% dos encerramentos foram voluntários e 40% dos sócios das empresas fechadas permanecem como sócios em outra autoescola.

Infrações recuam, mas efeito do programa não é comprovado

A proporção de novos habilitados com registro de infração caiu de 2,36% para 0,54%, uma redução de 77,1%, segundo o indicador apresentado pelo ministério. Nesse caso, o levantamento compara os intervalos de 9 de dezembro de 2024 a 7 de setembro de 2025 e de 9 de dezembro de 2025 a 7 de setembro de 2026.

No primeiro período, foram identificados 42.208 condutores com infrações entre 1,79 milhão de novos habilitados. No segundo, foram 11.938 em um universo de 2,21 milhões.

O Ministério ressalva, porém, que os dados não permitem afirmar que o programa causou a redução das infrações, apenas que os dois movimentos ocorreram no período analisado.

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