Brasil

Conheça a primeira mulher a integrar força-tarefa antipirataria no Oriente Médio

A oficial Luciana Mendes vem de uma família com história no pioneirismo feminino nas Forças Armadas

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Samir Mello
17/03/2024, 12:42 • Atualizado em 17/03/2024, 13:10
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Conheça a primeira mulher a integrar força-tarefa antipirataria no Oriente Médio

“Você pode chegar onde você quiser”. A frase, embora possa parecer inocente, deixou uma forte impressão na jovem Luciana. Afinal, ela a escutou em idade formativa de sua mãe, Dalva Maria Carvalho Mendes, primeira mulher do país a alcançar um cargo de oficial general das Forças Armadas Brasileiras. A marca deixada pelo exemplo caseiro, aliás, foi tão profunda, que Luciana seguiu o pioneirismo feminino de sua família na Marinha.

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Luciana Carvalho Mendes se tornou a primeira oficial do sexo feminino a integrar o Estado-Maior da Combined Task Force 151 (CTF-151). “Sempre valorizei os valores e tradições do meio militar que minha mãe trazia para casa. A ideia de se dedicar ao seu trabalho, buscar crescer e se desafiar, sair da zona de conforto. É claro que existe o medo das limitações, de não dar conta, mas quando passei a enxergar essas situações como oportunidades, como minha mãe me ensinou, comecei a mudar minha perspectiva e enxergar meu potencial”, explicou Luciana, em entrevista para o SBT News.

Oficial Luciana Mendes e sua mãe, a Contra-Almirante Dalva Mendes. Pioneirismo feminino militar na mesma família | Arquivo pessoal
Oficial Luciana Mendes e sua mãe, a Contra-Almirante Dalva Mendes. Pioneirismo feminino militar na mesma família | Arquivo pessoal

A comandante carioca de 39 anos exerce atualmente a função de Consultora para Assuntos Jurídicos voltados para o Direito do Mar e Direito Internacional, assessorando o Contra-Almirante Antonio Braz de Souza, em uma missão de repressão à pirataria no Mar Vermelho, Golfo de Aden e Mar Arábico. “Se trata de uma força marítima combinada, da qual fazem parte mais de 40 países. No contexto mais amplo, buscamos garantir a segurança da navegação na região. É também uma oportunidade de aprender e assimilar as melhores práticas de outras marinhas, trocar informações, conhecer sistemas diversos para incrementar a nossa própria defesa”, explica Luciana.

Sobre os desafios de ser uma mulher nas Forças Armadas trabalhando em uma região conservadora como o Oriente Médio, Luciana afirma que, até o momento, não encontrou problemas de preconceito ou discriminação.

“No momento, por exemplo, estou no Bahrein, e claro que há questões culturais, religiosas, que você tem que observar. Mas em relação ao trabalho, o tratamento é totalmente igualitário, não tem diferenciação. Em relação a toda minha jornada na Marinha, os critérios para avaliação, evolução na carreira, conseguir cursos e missões sempre foram objetivos e meritocráticos”, defende.

Histórico

Além da dedicação e do profissionalismo, a ascensão de Luciana foi possibilitada pela Lei 13.541/2007, que permitiu às mulheres ocupar cargos em atividades operativas da Marinha, podendo integrar o oficialato do corpo da Armada e o de Fuzileiros Navais, até então restritos apenas a homens.

Sem restrição à admissão e promoção de mulheres em seus quadros, a Marinha do Brasil pretende elevar dos atuais 11,7% para 27% a participação do sexo feminino em seu efetivo até 2030, de acordo com a Portaria 244/2020. A meta ultrapassa os números de potências militares como os Estados Unidos que, até 2021, contavam com 20,5% de mulheres na Marinha e 9,1%, no Corpo de Fuzileiros Navais, conforme relatório do Departamento de Defesa norte-americano.

No Brasil, esse aumento de mulheres no efetivo vai contar com a colaboração, por exemplo, de cursos, como acesso da primeira turma de alunos no Colégio Naval em 2023, marcando a primeira vez que mulheres puderam prestar concurso para Soldados Fuzileiros Navais e estar na linha de frente.

Essa abertura segue o pioneirismo histórico da Marinha que, em 1980, foi a primeira Força Armada a fazer um curso de formação para oficiais voltado a mulheres. Nessa turma, estava a mãe de Luciana, a médica anestesista Dalva Maria Carvalho.

Dalva Mendes e sua filha, Luciana Mendes | Arquivo Pessoal
Dalva Mendes e sua filha, Luciana Mendes | Arquivo Pessoal

Ela se tornou contra-almirante, ocupando o terceiro posto mais importante da Marinha em 2012, uma patente equivalente à de general de brigada no Exército, e de brigadeiro na Aeronáutica. Pela legislação anterior, tal ascensão não seria possível, porém, por ser médica e já fazer parte do corpo de saúde da instituição, pôde realizar o seu potencial.

“Vim de uma família de classe média baixa, mas que sempre valorizou o trabalho honesto, a dedicação, apostar em si mesmo. Isso foi a minha maior inspiração e o que tentei passar para os meus filhos. Acredite em você mesma, trabalhe, se dedique e poderá conquistar todo espaço que quiser. Não há barreiras para mulheres na marinha”, aconselhou Dalva.

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