Brasil

Como seriam as mortes? Quem são os envolvidos? Qual a relação com Bolsonaro? Entenda plano contra Lula, Alckmin e Moraes

Os quatro militares e o agente da PF envolvidos no planejamento dos crimes foram presos nesta terça-feira (19)

S
SBT News
19/11/2024, 23:45 • Atualizado em 20/11/2024, 01:07
compartilhar
Lula, Alckmin e Moraes na diplomação | Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

Lula, Alckmin e Moraes na diplomação | Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A operação Contragolpe, da Polícia Federal, prendeu quatro militares e um agente da PF, nesta terça-feira (19), envolvidos em um planejamento de golpe de Estado após as eleições de 2022 e o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

De acordo com a PF, dois deles são militares das Forças Especiais (FE), os chamados "kids pretos", que possuem "conhecimento técnico-militar para planejar, coordenar e executar ações ilícitas".

Os envolvidos usavam apelidos para se referirem aos alvos da operação golpista "Punhal verde amarelo". Em documentos apreendidos, os golpistas chamam as possíveis vítimas por codinomes, como Jeca (Lula), Joca (Alckmin) e Juca (ainda não identificado pela PF).

Os policiais federais cumpriram ainda três mandados de busca e apreensão e 15 medidas cautelares diversas de prisão, como proibição de manter contato com demais investigados, se ausentar do país, e suspensão do exercício de funções públicas.

Quem são os envolvidos?

General da brigada Mario Fernandes: foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser ministro de forma interina. Também é ex-assessor do deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde. Militar pelas Forças Especiais (FE), os chamados "kids pretos", Mauro é descrito como um dos militares mais radicais por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, na investigação da Polícia Federal.

Tenente-coronel Helio Ferreira Lima: foi Assistente do Comandante Militar do Sul, responsável pelo coordenação das atividades militares de toda a região Sul do Brasil. Ele também teria participado do monitoramento de Alexandre de Moraes, além de manter um documento detalhado de fatores estratégicos "fisiográficos, psicossocial, político, militar, econômico e produção".

Major Rodrigo Bezerra Azevedo: também é Tenente-Coronel do Exército e ingressou no serviço público em 1999. Em 2022, ele era Major da Infantaria que servia no Comando de Operações Especiais (OB), unidade de ações de alta complexidade.

Major Rafael Martins de Oliveira: militar da ativa, conhecido pelo apelido de Joe, é o terceiro Tenente-Coronel do Exército preso na operação e também é "kids preto". Ele é descrito pela autoridade policial como um militar de "alta capacidade técnica", com registro de participação no Batalhão de Ações e Comandos. Segundo o documento da PF, Rafael ficou responsável por levantar os custos do golpe, encaminhando o orçamento do plano para Mauro Cid.

Policial federal Wladimir Matos Soares: estava na segurança do candidato eleito à época, Lula, e auxiliou na parte do planejamento operacional que previa o assassinato de Lula e Alckmin.

Como seria a morte

De acordo com o documento, a organização criminosa previa as mortes com uso de um arsenal de guerra. Além de uma metralhadora belga/norte-americana M249 — utilizada por forças militares, incluindo a dos Estados Unidos —, os golpistas pretendiam usar pistolas, fuzis, lança-granadas e lança-rojão. A própria PF detalha o arsenal na investigação:

Um dos planos incluía a possibilidade de envenenamento ou “uso de químicos para causar colapso orgânico”.

Qual a relação com Jair Bolsonaro?

As investigações da Polícia Federal colocam Bolsonaro diretamente ligado à trama golpista. Desde 2022, a PF ligou três descobertas ao ex presidente: a "minuta do golpe" — documento encontrado com membros do governo com decreto de intervenção no TSE —, uma reunião no dia 9 de dezembro no Planalto com um comandante militar e mensagens de Mauro Cid com outro militar que assessorava a Presidência.

As investigações da PF e do STF apontam que após a derrota de Bolsonaro, nas Eleições 2022, foi elaborado e efetivado um plano de "golpe de Estado, na tentativa de impedir a posse do governo legitimamente eleito" e de tentativa de "restringir o livre exercício do Poder Judiciário". Um dos ataques seria em 15 de dezembro de 2022, três dias após diplomação de Lula.

Uma reunião no dia 9 de dezembro de 2022, no Palácio do Planalto, com o então chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter), general Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira, sacramentou a atuação dos "kids pretos" na tentativa de golpe de Estado e atentados.

A presença do general no Planalto foi registrada e o conteúdo cruzado com dados que PF obteve dos celulares de auxiliares de Bolsonaro, como o ex-ajudante de ordem da Presidência, tenente-coronel Mauro Barbosa Cid. A PF aponta que uma semana depois de Bolsonaro "ter analisado e realizado alterações em minuta de decreto destinada a consumar o golpe de Estado e ter se reunido com o Comandante do Coter", no dia 9 de dezembro, dois auxiliares diretos do então presidente, Mauro Cid e Marcelo Câmara, coronel do Exército, "trocaram mensagens indicando que estavam acompanhando a operação".

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: França x Espanha na Copa do Mundo; siga em tempo real

França x Espanha na Copa do Mundo; siga em tempo real

Imagem da notícia: Dinheiro esquecido em bancos soma R$ 6,24 bilhões

Dinheiro esquecido em bancos soma R$ 6,24 bilhões

Imagem da notícia: Governo tenta suspender dívidas da obra de Angra 3

Governo tenta suspender dívidas da obra de Angra 3

Imagem da notícia: Brasileiros apoiam diálogo com filhos mas admitem violência

Brasileiros apoiam diálogo com filhos mas admitem violência

Imagem da notícia: França x Espanha na Copa do Mundo; siga em tempo real

França x Espanha na Copa do Mundo; siga em tempo real

Imagem da notícia: Dinheiro esquecido em bancos soma R$ 6,24 bilhões

Dinheiro esquecido em bancos soma R$ 6,24 bilhões

Imagem da notícia: Governo tenta suspender dívidas da obra de Angra 3

Governo tenta suspender dívidas da obra de Angra 3

Imagem da notícia: Brasileiros apoiam diálogo com filhos mas admitem violência

Brasileiros apoiam diálogo com filhos mas admitem violência

Últimas notícias

Trump recua sobre cobrança de tarifas no Estreito de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos desiste de tarifas norte-americanas, mas diz que vai bloquear todo tráfego iraniano na região

Silveira: gasolina deve cair R$0,03 na bomba com mais etanol

Estimativa considera os preços atuais do etanol e da gasolina; nova mistura começa a valer em 1º de agosto

Fachin pede união do Judiciário contra o crime organizado

Presidente do STF reforçou ainda a importância de ações integradas dos órgãos de segurança e do governo para fazer a asfixia financeiras das facções

Colombiana morre após batalha por suicídio assistido

Segundo o Noticias Caracol, psicóloga de 30 anos buscava o procedimento, mas optou pela eutanásia após meses à espera de uma decisão judicial

Governo restringe importação de biodiesel

Medida vale apenas para o combustível misturado ao diesel vendido nos postos; governo alega que oferta nacional é suficiente

Dino manda recado sobre terceirização de emendas e cobra AGU

Decisão reforça irregularidade na indicação de emendas por ex-deputados, em clara referência aos casos de Eduardo Cunha e Valdemar Costa Neto