Ao contrário do previsto, entrada de venezuelanos no Brasil cai nos primeiros dias do ano
Governo temia aumento do fluxo imigratório devido à captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos


Camila Stucaluc
O fluxo de migrantes e refugiados na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em Roraima, diminuiu nos primeiros 13 dias de 2026. Segundo dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social na quinta-feira (15), foram registradas 1.014 entradas de cidadãos do país vizinho por Pacaraima, ante 2.121 no mesmo período em 2025.
O resultado é contrário ao previsto, uma vez que o governo brasileiro temia um aumento no fluxo imigratório devido às operações navais dos Estados Unidos perto da costa da Venezuela. A tensão entre os países atingiu seu ápice no dia 3 de janeiro, quando forças norte-americanas atacaram Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sob acusações de narcoterrorismo.
As prisões provocaram dúvidas sobre quem, de fato, governa a Venezuela. Isso porque a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina, enquanto a oposição pede que Edmundo González Urrutia, candidato que reivindica a vitória na eleição presidencial de 2024, assuma a presidência.
Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que um grupo de autoridades norte-americanas ficará responsável por administrar Caracas por tempo indeterminado. Uma eventual transição de poder foi citada no plano de três fases apresentado para o país, mas ainda sem data para ser implementado. Segundo Trump, não haverá novas eleições por pelo menos 30 dias.
Em meio ao cenário de incerteza, o governo brasileiro anunciou um planejamento estratégico para a fronteira com a Venezuela, em caso de aumento de fluxo imigratório. Os abrigos federais e as estruturas de recepção foram preparados para atender aumentos de demandas sazonais, bem como as entidades de regularização documental.
“Nós monitoramos diariamente o fluxo migratório e hoje é até menor do que o de 2025 no mesmo período. Se precisar acionar o plano de contingência, ele está pronto e a gente realiza todos os serviços normalmente”, disse o coordenador de operações da estratégia, general Santos. “Lembrando que a Operação Acolhida chegou a ter 12 mil abrigados e hoje são 5 mil abrigados em Pacaraima e Boa Vista”, acrescentou.









