Brasil

Analfabetismo no Brasil cai a 4,9%, menor taxa desde 2016

Dados do IBGE mostram avanço da educação no país, mas 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabem ler e escrever

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Emanuelle Menezes
19/06/2026, 14:18 • Atualizado em 19/06/2026, 14:52
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População com 60 anos ou mais representa 58% de todos os analfabetos do país | Geovana Albuquerque/Agência Brasília

População com 60 anos ou mais representa 58% de todos os analfabetos do país | Geovana Albuquerque/Agência Brasília

A taxa de analfabetismo no Brasil caiu para 4,9% em 2025, o menor índice desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, em 2016. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Apesar do avanço, o país ainda registra 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever um bilhete simples. O número representa uma redução de 592 mil analfabetos em comparação com 2024.

A queda faz com que o Brasil registre, pela primeira vez, uma taxa de analfabetismo abaixo de 5%. Ainda assim, o resultado fica distante da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024.

Desigualdades ainda marcam a educação brasileira

Os dados mostram que o analfabetismo continua concentrado entre os mais velhos e em regiões historicamente mais vulneráveis. Mais da metade dos analfabetos do país vive no Nordeste, onde a taxa chega a 10,6%, mais que o dobro da média nacional.

Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 13,8%, o equivalente a 4,9 milhões de pessoas. Esse grupo representa 58% de todos os analfabetos do país.

Para a especialista em políticas educacionais e ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, o resultado reflete avanços importantes, mas também evidencia desigualdades históricas.

"O Brasil é profundamente desigual socialmente, e isso acaba se convertendo em desigualdades educacionais também", afirmou em entrevista ao News Manhã.

Segundo ela, o país demorou décadas para garantir o acesso universal à educação básica e isso se reflete no percentual de idosos analfabetos. "O Brasil demorou muito tempo para universalizar o acesso de todos ao ensino fundamental. No final dos anos 60, nós tínhamos nas escolas primárias apenas 40% das crianças brasileiras", destacou.

Costin avalia que a melhora dos indicadores está ligada à ampliação do acesso à educação nas últimas décadas.

"Só na primeira década do século XXI que nós colocamos todos na escola no Fundamental I. Nos anos finais foi só na segunda década. Mas, desde então, temos melhorado os índices de acesso à educação e taxas de conclusão", disse.

A avaliação vai ao encontro da análise do IBGE, que aponta que as novas gerações tiveram mais oportunidades de escolarização e alfabetização ainda na infância.

Sem considerar a população idosa, a taxa de analfabetismo cai para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos.

Taxa de analfabetismo cai para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos | Antônio Cruz/Agência Brasil
Taxa de analfabetismo cai para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos | Antônio Cruz/Agência Brasil

Pretos e pardos ainda enfrentam maiores desafios

A pesquisa também revela desigualdades raciais persistentes. Entre pessoas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 6,5% entre pretos e pardos, contra 2,8% entre brancos.

A diferença se amplia entre os idosos. Na população com 60 anos ou mais, 20,6% dos pretos e pardos são analfabetos, percentual quase três vezes superior ao observado entre brancos da mesma faixa etária (7,3%).

Por outro lado, o levantamento trouxe um marco inédito: pela primeira vez, mais da metade dos pretos e pardos com 25 anos ou mais (51,3%) concluiu o ensino médio.

Trabalho é principal motivo de abandono escolar

Além do analfabetismo, a PNAD Contínua apontou desafios relacionados à permanência dos jovens na escola.

Entre brasileiros de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio, o principal motivo para abandonar os estudos continua sendo a necessidade de trabalhar, citada por 43% dos entrevistados.

A pesquisa também mostrou que 25,6% dos jovens afirmaram não ter interesse em estudar, enquanto a gravidez aparece como uma das principais causas de evasão escolar entre mulheres, mencionada por 24,7% das entrevistadas.

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