Advogado Luiz Fernando Pacheco morre após passar mal em rua de Higienópolis, em São Paulo
Advogado criminalista e ex-conselheiro da OAB-SP estava desaparecido; ele foi socorrido sem documentos
Caroline Vale
O advogado Luiz Fernando Pacheco, de 51 anos, conhecido por sua atuação em casos de repercussão nacional, morreu na quarta-feira (1º). Ele foi localizado desacordado e sem documentos em uma rua do bairro de Higienópolis, na zona central de São Paulo. O advogado foi dado como desaparecido no mesmo dia, sendo que seu corpo foi identificado nesta quinta-feira (2).
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo 78º Distrito Policial (Jardins), policiais militares foram acionados via COPOM após um popular relatar que um homem estava passando mal, convulsionando e com dificuldade para respirar.
No local, Pacheco já estava sendo socorrido por uma equipe do SAMU, mas não resistiu e foi declarado morto no Pronto-Socorro da Santa Casa, na madrugada do dia 1º de outubro.
No momento do atendimento, ele não portava documentos e foi apontado inicialmente como pessoa em situação de rua. Sua identidade só foi confirmada posteriormente por meio de exame papiloscópico realizado pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt.
O procedimento permitiu associar o corpo à queixa de desaparecimento no dia 30 de setembro, registrada pela Delegacia de Polícia Eletrônica na quarta-feira.
As circunstâncias de sua morte ainda estão sob investigação pela Polícia Civil, que encaminhará o caso à Divisão de Proteção à Pessoa do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Quem foi Luiz Fernando Pacheco?
Luiz Fernando Pacheco foi um advogado criminalista com mais de 20 anos de atuação, formado em Direito pela Universidade Mackenzie em 1996. Iniciou a carreira no escritório de Márcio Thomaz Bastos, onde se tornou sócio em 2000 e participou de casos de grande repercussão, como a defesa de José Genoino no processo do mensalão.
Em 2013, fundou seu próprio escritório, especializado em advocacia criminal. Fez especialização em Direito Penal Econômico e Europeu pelo IBCCRIM e pela Universidade de Coimbra.
Também ocupou cargos institucionais de destaque, como conselheiro da OAB-SP, coordenador da Comissão de Prerrogativas da seccional paulista, conselheiro do IDDD e membro do Conselho Nacional Antidrogas da Presidência da República.
No final de 2024, deixou a presidência da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-SP. Ele também era Conselheiro de Prerrogativas do CFOAB.
OAB-SP se pronuncia
Em nota, a OAB-SP manifestou condolências à família e aos amigos e decretou luto oficial de três dias. "Ao longo de mais de 30 anos de carreira, o criminalista Luiz Fernando Pacheco marcou a advocacia por sua atuação sempre muito firme na defesa de direitos da advocacia e de toda a sociedade, sem se intimidar com medidas ou decisões monocráticas dos Tribunais Superiores."
“Perdemos um amigo ímpar e um guerreiro do bem. A Ordem está em luto e o melhor que faremos é seguir honrando a luta pelo direito de defesa e das prerrogativas da advocacia, causas que ele abraçou com paixão e ética”, diz o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica.
Escritório lamenta morte
Em nota, a equipe do escritório de Pacheco lamentou a morte e homenageou o advogado. Veja na íntegra:
"Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco, o nome pomposo destoava do amor-perfeito; da voz rouca, mas tonitroante; da imensidão escondida atrás do sorriso, da gargalhada de calhambeque, da irascibilidade que explodia diante de qualquer injustiça, a ponto de chamar à ordem, famosamente, advogada mente, nada menos que o Supremo Tribunal Federal, tudo para, em dias mais recentes, tornar-se um dos maiores defensores de prerrogativas da nossa conturbada História.
Em 30 de dezembro de 2022, amigos reuniram-se em Brasília, todos ainda assustados com o perigo que havia em identificar-se com Justiça Social e Direitos Humanos, para celebrarem antecipadamente a terceira posse de Lula. Gente jovem que se mudava para a Capital para assumir o Governo, gente menos jovem para apoiar e exorcizar a política. Entre eles, Pacheco, feliz da vida. De repente, ele começa a chorar intensamente. “Há tanta injustiça nesse País…”, murmurou.
Pacheco choraria muitas vezes mais, pelo Brasil, pela advocacia, por toda pessoa cuja história chegasse a ele. Hoje, choramos pelo Pacheco. Uma revoada de anjos buscou pela sua São Paulo o arcanjo caído. Esta semana dolorosa, Pacheco, sem lenço, sem documento, foi identificado primeiramente como morador de rua. O destino soube descrevê-lo em toda sua grandeza de coração. Ele era morador das ruas, trazia consigo toda a dor do mundo."







