Dermatite atópica piora no frio e com tempo seco: saiba como cuidar da pele
Especialista explica por que as crises aumentam no outono e no inverno e como evitar


Naiara Ribeiro
Com a chegada das estações mais secas e frias do ano, a saúde da pele exige mais atenção, especialmente para quem convive com dermatite atópica. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam que a doença afeta entre 15% e 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos no Brasil. Ainda segundo a entidade, três em cada dez brasileiros acreditam, de forma equivocada, que a condição é contagiosa, o que mostra a desinformação que ainda existe sobre o tema.
De acordo com o Dr. Gustavo Novaes, médico dermatologista formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da SBD, apesar de não ser contagiosa, a doença exige atenção médica sempre que surgem lesões na pele:
“A dermatite atópica é uma doença inflamatória complexa, que exige diagnóstico correto e tratamento individualizado. A automedicação pode trazer riscos importantes, como a piora da barreira cutânea com produtos irritantes, o mascaramento de infecções associadas e a falta de controle adequado da inflamação. Além disso, existem hoje tratamentos modernos e eficazes — incluindo imunomoduladores tópicos e terapias sistêmicas — que precisam de avaliação médica. O dermatologista é essencial para confirmar o diagnóstico, identificar gatilhos individuais, definir um plano de tratamento seguro e eficaz e orientar cuidados diários que previnem crises”, explica o dermatologista.
O que é a dermatite atópica?
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem imunológica e alérgica, que compromete a barreira de proteção natural da pele. É uma condição multifatorial, ou seja, resulta da combinação de fatores genéticos com influências do ambiente.
Os principais gatilhos incluem:
- Pele seca (xerose): que é o principal fator desencadeante;
- irritantes: sabonetes agressivos, fragrâncias, produtos de limpeza;
- alérgenos: ácaros, poeira, pelos de animais;
- calor e suor excessivo;
- estresse emocional;
- infecções cutâneas, especialmente bacterianas.
Esses fatores ativam o sistema de defesa da pele e causam inflamação, vermelhidão e coceira intensa.
Por que piora no outono/inverno?
O agravamento dos sintomas nesta época está ligado à combinação do clima frio com a baixa umidade do ar, que reduz a hidratação natural da pele.
O vento frio, o uso de aquecedores e o hábito de tomar banhos mais quentes e demorados também prejudicam a barreira cutânea, deixando a pele mais sensível a irritantes e alérgenos. Além disso, roupas mais pesadas, como lã e tecidos sintéticos, podem causar irritação.
Principais sintomas
Os sinais da doença costumam aparecer em crises, alternando períodos de melhora e piora. Entre os principais sintomas estão:
- Coceira intensa (prurido): é o sintoma mais comum e pode atrapalhar o sono em casos mais graves.
- Lesões na pele (eczema): manchas avermelhadas, descamação e ressecamento intenso. Em bebês, costumam surgir no rosto e nas dobras. Em adolescentes e adultos, aparecem principalmente nas dobras do corpo. Em casos mais graves, podem surgir fissuras dolorosas, rachaduras que sangram, inchaço e infecções frequentes devido à coceira constante.
Por que não tem cura?
A dermatite atópica é uma condição crônica porque envolve alterações na estrutura e no funcionamento da pele, em grande parte determinadas por fatores genéticos. Entre elas estão a redução da proteção natural da pele, maior sensibilidade do sistema imunológico e tendência à inflamação recorrente.
“Não se trata apenas de uma ‘irritação passageira’, mas de uma característica do organismo. A boa notícia é que, embora não tenha cura definitiva, a doença pode ser controlada com tratamento adequado, permitindo períodos longos sem sintomas”, afirma o Dr. Novaes.
Tratamentos
O tratamento tem como objetivo controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. As principais abordagens incluem:
- Hidratação profunda: uso de cremes específicos para recuperar a barreira da pele.
- Medicamentos: antialérgicos para aliviar a coceira e corticoides tópicos ou imunomoduladores para tratar as lesões.
- Terapias avançadas: medicamentos biológicos em casos mais graves e acompanhamento psicológico, já que o estresse pode agravar o quadro.
O que fazer para aliviar os sintomas
Existem algumas medidas que podem ajudar a prevenir ou aliviar os sintomas da dermatite atópica:
- Banhos mornos e rápidos: a água deve estar em temperatura amena e o ideal é usar sabonetes suaves, que limpam sem agredir a pele.
- Hidratação imediata: aplicar hidratante logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, ajuda a reter a água.
- Roupas adequadas: dar preferência a tecidos macios, como algodão ou seda.
- Controle do estresse: atividades de relaxamento e exercícios físicos podem ajudar.
O que não fazer
O dermatologista também da dicas para evitar novas crises:
- Banhos quentes: evitar água muito quente e o uso excessivo de sabonetes agressivos.
- Esfregar a pele: não usar esponjas ou toalhas com força durante ou após o banho.
- Tecidos irritantes: evitar contato direto com lã ou materiais sintéticos.
- Automedicação: não usar pomadas ou cremes sem orientação médica, especialmente em lesões ativas.
Ao notar qualquer sinal de irritação persistente, o recomendado é buscar ajuda especializada para um diagnóstico correto e início do tratamento adequado.









