Saúde

Visão de flashes ou “pontinhos” pode ser descolamento de retina; entenda

Sinais podem ser alerta para agir rápido; descolamento pode levar à perda irreversível da visão, dizem especialistas

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Brazil Health
24/04/2026, 13:26 • Atualizado em 24/04/2026, 19:08
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Glaucoma é a principal causa de cegueira no mundo | Freepik

Glaucoma é a principal causa de cegueira no mundo | Freepik

O descolamento de retina é uma doença relativamente rara, mas extremamente importante, porque, se não for identificado e tratado rapidamente, pode levar à perda irreversível da visão.

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Existem alguns grupos de maior risco. Pacientes com miopia, diabetes, histórico de trauma ocular (pancada no olho) e aqueles que já fizeram cirurgia de catarata têm uma chance um pouco maior de desenvolver descolamento de retina. E como a cirurgia de catarata é o procedimento cirúrgico mais realizado no mundo, a quantidade de pessoas nesse grupo de risco é muito grande.

Por que os sintomas são apenas visuais

Um ponto fundamental: doenças da retina, em geral, não causam olho vermelho, dor, lacrimejamento ou sensação de areia. Os sintomas são exclusivamente visuais.

Os sinais de alerta mais comuns são:

- Aparecimento ou piora de “moscas volantes” (pontinhos ou sujeirinhas que flutuam na visão)

- Flashes de luz (como pequenos relâmpagos)

- Sensação de sombra ou piora da visão em um dos olhos

O que pode estar acontecendo dentro do olho

Esses sintomas acontecem, na maioria das vezes, porque o gel que preenche o olho por dentro (o vítreo) começa a tracionar a retina. Como a retina é um tecido especializado em captar luz, essa tração pode ser percebida como flashes.

Se, nesse processo, surge uma pequena rasgadura na retina, a doença ainda está em uma fase inicial, e muitas vezes o tratamento com laser é suficiente e evita algo mais grave.

O problema é quando essa etapa passa despercebida. A partir do momento em que a retina começa a se descolar da parede do olho, trata-se de um cenário completamente diferente, que exige cirurgia.

O tempo é o fator que mais pesa

E aqui entra o ponto mais importante: o tempo.

As células da retina precisam estar aderidas à parede do olho para receber oxigênio e nutrientes. Quando a retina se descola, essas células começam a sofrer e podem morrer. Por isso, mesmo que a cirurgia consiga recolocar a retina no lugar, a visão pode não se recuperar se o tratamento for tardio.

Uma forma simples de entender é comparar com um infarto: se a pessoa demora dias ou semanas para procurar atendimento, muitas vezes já perdeu a chance de salvar aquele tecido.

Por isso, a orientação é muito clara: se perceber flashes, aumento de moscas volantes ou qualquer alteração visual súbita, procure um oftalmologista imediatamente.

O exame, nesses casos, inclui dilatar bem a pupila e avaliar toda a retina, especialmente as regiões periféricas, onde essas lesões costumam começar.

Se for identificado apenas um rasgo, muitas vezes o tratamento é feito rapidamente com laser.

Se já houver descolamento, principalmente em fase inicial, estamos diante de uma urgência oftalmológica.

Existe uma situação crítica e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade: quando parte da retina está descolada, mas a região central (mácula) ainda está preservada. Se o paciente for operado rapidamente, é possível salvar a visão.

Infelizmente, o que ainda vemos com frequência é o atraso no tratamento, seja por dificuldade de acesso, seja por demora em sistemas de saúde.

Descolamento de retina não admite espera. Tanto o diagnóstico quanto a intervenção precisam ser imediatos. Isso porque, depois que a visão é perdida nesse contexto, não existem formas de recuperá-la completamente.

** Rubens Belfort Neto é médico oftalmologista pela Escola Paulista de Medicina, especialista em retina e oncologia ocular

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