Brasil

Formação médica: AMB alerta para falhas em cursos no Brasil

Levantamento mostra que 30,6% dos cursos de medicina tiveram desempenho insuficiente no Enamed

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Camila Stucaluc
01/05/2026, 07:55 • Atualizado em 01/05/2026, 07:55
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Associação Médica Brasileira alerta para falhas em cursos no Brasil | Pexels

Associação Médica Brasileira alerta para falhas em cursos no Brasil | Pexels

A Associação Médica Brasileira (AMB) alertou para a qualidade da formação médica no país. O aviso ocorre após um novo informe técnico do estudo Demografia Médica no Brasil – Radar, que analisou os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizado em 2025.

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Ao todo, o levantamento avaliou o desempenho de 39.256 recém-formados de 350 cursos de medicina em todo o país. Segundo a AMB, os dados revelaram um cenário preocupante: 30,6% dos cursos avaliados apresentaram desempenho considerado insuficiente.

Uma das principais características para o resultado é a expansão recente dos cursos de medicina no Brasil, que dobraram nos últimos 10 anos, passando de 252 para 494. Esse crescimento contribuiu para ampliar o acesso à formação médica, mas também trouxe desafios significativos em relação à qualidade do ensino.

Entre os cursos avaliados no Enamed, 107 apresentaram desempenho insuficiente, enquanto 243 foram classificados como suficientes. A discrepância entre instituições públicas e privadas chama atenção: apenas 4,2% dos cursos públicos tiveram desempenho insuficiente. Já entre os privados, esse percentual chega a 44,2%

“Os dados mostram uma diferença importante entre os modelos de formação. Não se trata de uma questão ideológica, mas de evidência técnica: é preciso garantir que todos os cursos, independentemente da natureza jurídica, cumpram padrões rigorosos de qualidade”, afirma José Eduardo Dolci, diretor científico da AMB.

O estudo também identificou forte correlação entre a concorrência no ingresso e o desempenho dos cursos. Instituições com menor relação candidato/vaga apresentaram maior probabilidade de desempenho insuficiente.

Além disso, cursos com maior número de alunos por docente tiveram resultados significativamente piores. Conforme os dados, enquanto cursos com bom desempenho apresentaram mediana de 5,6 alunos por professor, os insuficientes chegaram a 10 alunos por docente.

Outro fator relevante é o tempo de existência. Cursos com menos de 10 anos têm mais que o dobro de chance de desempenho insuficiente. Entre os cursos mais antigos (mais de 21 anos), os resultados são significativamente melhores.

A localização geográfica também influencia os resultados. Cursos situados em municípios com menos de 300 mil habitantes apresentaram maior proporção de desempenho insuficiente. Regionalmente, os dados mostram desigualdade:

  • Norte: 46,7% de cursos insuficientes
  • Centro-Oeste: 40%
  • Sudeste: 31,9%
  • Nordeste: 30,2%
  • Sul: 13,8%

“O Brasil precisa avançar em mecanismos que assegurem a qualidade da formação médica. Avaliar é fundamental, mas é igualmente necessário agir sobre os problemas identificados, com regulação mais rigorosa e políticas públicas consistentes”, pontua Dolci.

Exame de proficiência

O estudo ganha relevância em meio à discussão no Congresso sobre a criação de um exame de proficiência para médicos recém-formados. Quem não for aprovado poderá atuar de forma exclusiva em atividades técnico-científicas, sem contato com pacientes, mediante autorização do Conselho Regional de Medicina (pela Inscrição de Egresso em Medicina).

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