Portinho nega aliança da oposição com Moraes para rejeitar Messias: "Ministro foi tão derrotado quanto Lula"
Senador do PL diz que derrota de Messias reúne “o mesmo número de assinaturas para abrir impeachment” contra ministro




Caroline Vale
Amanda Klein
Nathalia Fruet
Eduardo Gayer
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) negou que tenha havido qualquer alinhamento entre a oposição e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na articulação que resultou na rejeição da indicação de Jorge Messias para a Corte. A declaração foi feita nesta quinta-feira (30), em entrevista ao SBT News.
Portinho criticou decisões recentes do STF e disse que houve reação institucional do Senado na votação. Ele também afastou qualquer possibilidade de atuação conjunta entre oposicionistas e Moraes na rejeição da indicação: “De forma alguma. Isso é típico de quem não entendeu os sinais que foram enviados ontem pelo Senado Federal.”
“O ministro Alexandre de Moraes foi tão derrotado quanto o presidente Lula e o STF”, declarou. Segundo o senador, “o recado tá dado [...] é hora do STF baixar a bola, distensionar. [...] Ontem a derrota também foi do ministro Alexandre de Moraes, até porque nós colocamos 42 votos, o mesmo número de assinaturas que nós temos para abrir um processo de impeachment. O recado tá dado”.
Portinho diz que PL usou estratégia diferente para rejeição de Messias
Segundo Portinho, a mobilização da oposição começou semanas antes da votação, quando o PL decidiu adotar uma estratégia inédita. O senador explicou que a bancada optou pelo fechamento de questão para garantir unidade interna.
“Fechamento de questão é um instrumento próprio que vincula os parlamentares da bancada, no caso do PL, à orientação da liderança. Nesse caso, a estratégia era justamente manter os nossos votos dentro do PL”, disse. De acordo com ele, a medida também serviu como proteção política aos parlamentares. “Eles são intimidados, eles são ameaçados por muitas vezes ministros do STF. Isso não é lenda urbana, isso acontece.”
Portinho afirmou que a oposição já possuía cerca de 32 votos consolidados, reunindo partidos como PL, Novo, PP e Republicanos, além de parlamentares independentes. “A oposição já estava tratada”, declarou, acrescentando que o grupo também buscou apoio entre senadores da base governista insatisfeitos com a indicação.
“Nós sentimos que havia uma percepção da base do governo no Senado que a indicação frustrou as expectativas deles”, afirmou. Segundo ele, havia expectativa de que outro nome fosse indicado ao Supremo, o que teria contribuído para o resultado final.
Questionado sobre possíveis traições dentro da base aliada, o senador negou atuação direta do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. “Não seria justo com o presidente Rodrigo Pacheco. Ele especialmente não se movimentou”, afirmou, atribuindo a derrota ao sentimento individual dos parlamentares.
Ao comentar o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Portinho afirmou que a atuação foi institucional e negou qualquer acordo político para barrar investigações. “O único acordo que houve é que a gente faria uma sessão do Congresso [...] para derrubar o veto sobre a dosimetria, porque é a prioridade número um”, explicou.









