Dia internacional do Jazz ganha mistura de ritmos e identidade afro no Brasil
"Festival Salvador Jazz" chega à sétima edição em 2026 com grandes nomes da cena brasileira


Paula Rodrigues
Celebrado mundialmente em 30 de abril, o Dia Internacional do Jazz reforça o papel do gênero como uma linguagem global que é capaz de conectar culturas, histórias e identidades.
Criado oficialmente em 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o movimento tem como proposta aproximar pessoas ao redor do mundo por meio da música, iniciativa liderada pelo pianista Herbie Hancock, embaixador da boa vontade da UNESCO.
Do sul dos Estados Unidos ao restante do mundo, o jazz deixou de ser apenas um gênero musical para se tornar uma expressão cultural em constante transformação.
O jazz brasileiro e suas novas conexões
No Brasil, o jazz encontrou um caminho próprio.
Ao longo dos anos, o gênero passou a conversar com ritmos como a bossa nova, o samba, o R&B e o hip-hop, criando novas possibilidades sonoras e ampliando o alcance entre diferentes públicos, conectando o jazz às raízes afro-brasileiras e à música contemporânea. Essa mistura reflete não só uma evolução musical, mas também um movimento cultural que valoriza identidade, ancestralidade e inovação.
Se no cenário internacional, indiscutivelmente, Frank Sinatra pincelava o jazz através dos versos do hit ‘New York, New York’ (1980), no Brasil, o jazz aparece na mistura com o ‘rock and roll’ progressivo em bandas como A Cor do Som, passando pelas influências afro como na orquestra Aguidavi do Jêje.
E em um cenário marcado pela tecnologia e pela produção em massa, o gênero ainda resiste como um espaço de autenticidade artística.
“Jazz é a mais pura e sincera expressão da música. Nesses tempos de inteligência artificial e de milhares de músicas subindo para as plataformas digitais, a relevância do Jazz, de músicos de verdade tocando com sentimento, se torna ainda mais necessária”, diz o pianista, compositor e integrante da banda A Cor do Som, Mú Carvalho.

Festivais e a força da cena contemporânea
Os festivais têm papel central na expansão do jazz pelo mundo. Eventos como o Montreux Jazz Festival e o New Orleans Jazz & Heritage Festival ajudam a manter viva a tradição e a renovação do gênero.
No Brasil, o destaque vai para o Festival Salvador Jazz, que chega à sua sétima edição em 2026, reunindo artistas e público em torno da música instrumental e das sonoridades afro-brasileiras.
Promovendo a experiência sonora conectada com as raízes afro-brasileiras, a curadoria assinada pela produtora cultural Fernanda Bezerra e pelo pesquisador, historiador e músico, Fabrício Mota, traz a essência da identidade musical da Bahia para o palco.
“No Salvador Jazz, trabalhamos com um conceito ampliado de Jazz, valorizando sua pluralidade e diálogos com outros gêneros musicais. Nosso objetivo é apresentar ao público uma programação que transita entre o jazz tradicional, a música instrumental brasileira, o afro-jazz e novas sonoridades contemporâneas, reforçando Salvador como um polo criativo e aberto à diversidade musical”, assinam os curadores Fernanda Bezerra e Fabrício Mota.

Nos dias 30 e 31 de maio, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, o line-up do festival traz nomes como Sandra Sá, A Cor do Som, Amaro Freitas e Aguidavi do Jêje estão entre os artistas confirmados para agitar noites de música ao vivo e identidade negra ao som de jazz.
- 7ª Festival Salvador Jazz
- de 27 a 31 de maio
- entrada gratuita
- classificação livre









