Economia

Dólar cai a R$ 4,95 e tem maior tombo ante o real em 10 meses

Moeda norte-americana acumulou perda de 0,91% na semana e de 4,38% no mês

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Dólar cai a R$ 4,95 e tem maior tombo ante o real em 10 meses | Amanda Perobelli/Reuters

O dólar à vista encerrou as negociações desta quinta-feira (30) em queda de 0,99%, cotado a R$ 4,952, após oscilar entre R$ 4,951 e R$ 4,999 ao longo do dia. Com o resultado, a moeda americana acumulou recuo de 0,91% na semana, queda de 4,38% no mês e perdas de 9,78% no ano. Na comparação mensal, foi a maior queda desde junho de 2025, quando recuou 5,07%.

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O movimento reflete um ambiente de maior apetite por risco no exterior, combinado à queda das commodities, especialmente do petróleo.

Apesar das incertezas persistentes no cenário internacional — com impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã e tensões no Estreito de Ormuz — os preços da commodity recuaram nesta sessão, em um movimento de correção após atingirem máximas recentes.

O barril do Brent para junho caiu 3,41%, a US$ 114,01, enquanto o WTI recuou 1,69%, a US$ 105,07. Ainda assim, no acumulado do mês, os contratos registraram alta de 9,73% e 3,64%, respectivamente.

No cenário doméstico, o câmbio também reagiu à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que na véspera reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, mas adotou um tom mais cauteloso em relação aos próximos passos. A combinação de juros ainda elevados e atividade econômica resiliente ajudou a sustentar o real.

Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o desempenho da moeda brasileira reflete, em grande parte, o diferencial de juros ainda atrativo. Segundo Quartaroli, o real tem se destacado entre as moedas emergentes nas últimas semanas. Neste mês de abril, pela primeira vez em mais de dois anos, a moeda americana caiu abaixo de R$ 5.

"Além disso, a gente teve dados de mercado de trabalho aqui no Brasil, que mostraram aí um mercado de trabalho ainda resiliente, ou seja, em linha até com o discurso do Banco Central ontem, de que a atividade econômica ainda está forte. Isso deve contribuir para que a gente tenha uma taxa de juros um pouquinho mais alta e até o final do ano", afirma a economista.

Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que o dólar foi pressionado por um ambiente global mais favorável ao risco. "A melhora do humor externo — com altas nas bolsas, queda do DXY e dos rendimentos das Treasuries — favoreceu moedas emergentes", diz.

No Brasil, Shahini aponta que, apesar de alguma volatilidade pela manhã, influenciada pela rolagem de contratos e pela formação da Ptax de fim de mês, fatores como a alta do Ibovespa, o enfraquecimento global do dólar e o diferencial de juros sustentaram o real ao longo do dia.

O resultado foi uma moeda americana próxima das mínimas recentes, em um cenário marcado por fluxo favorável a ativos de maior risco e pela combinação de fatores externos e domésticos que reforçam a atratividade do real.

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